Arquidiocese de Palmas

Artigos › 19/02/2019

19º Aniversário de Palmas.

EDITORIAL

 

 

PALMAS, DEZENOVE ANOS DE MISSÃO!

 

No dia 27 de março de 1996, foi criada, pelo então papa João Paulo II, através do Decreto 7570, a Arquidiocese, desmembrando-a das dioceses de Porto Nacional e de Miracema. E no dia 31 de maio ela foi instalada. Certamente foi um dia de alegria e de muita festa.  Um particular pequeno que merece destaque: o Decreto de criação, além das 10 cidades – Palmas, Aparecida do Rio Negro, Lajeado, Lago do Tocantins, Lizarda, Mateiros, Novo Acordo, Rio Sono, Santa Teresa, São Félix, a Reserva Xerente. A cidade de Tocantínia foi anexada depois.

Há poucos dias atrás passei pela Praça dos Girassóis, vi a cruz , o altar e o pedaço da tábua do altar onde foi celebrada a primeira missa. Um mergulho nesta história. Sou do parecer que quando olhamos para o passado devemos ter o olhar de gratidão; quando vivemos presente devemos ter o olhar de paixão e, por fim, quando olhamos o futuro devemos ter o olhar da esperança. Gratidão pelo passado, paixão pelo presente e esperança para com o futuro.

Criar uma Arquidiocese é muito fácil. Basta escrever um Decreto, o papa assinar e mandar erigir. O difícil é criar as condições de funcionalidade e de sustentabilidade. Não estava aqui quando foram dados os primeiros passos. Hoje estou aqui como arcebispo. Preso muito por esta breve história. Apenas dezenove anos de missão. Soube, de fonte fidedigna, que a primeira campanha missionária feita aqui foi “salvar a fé católica de Palmas”. Na minha Carta Pastoral “Sobraram doze Cestos” faço referência a esta campanha no nono cesto. Creio estar na hora de uma campanha missionária similar a esta: sair de si, rumo ao próximo, em busca do afastado e do divorciado em sua fé.

A missão é um ato maternal da Igreja: ela engravida, gera, pare, cuida e protege cada ser humano das dores do mundo. A sua missão é fecundar o coração do mundo com o Evangelho de Jesus. A missão é sempre urgente, necessária, imperiosa, doce e inquietante. Para o papa Francisco a Igreja deve ser sempre uma “Igreja em saída”, para aquecer o coração das pessoas, andar na noite delas e orientá-las para a Luz, que é Jesus. Segundo ainda ele, a missão possui sempre a dinâmica do êxodo e do dom, de sair de si mesmo, de caminhar e de semear sempre de novo, sempre mais além (EG 21). Ele como eu sonhamos com uma opção missionária capaz de transformar tudo, para que os costumes, os estilos, os horários, a linguagem e toda a estrutura eclesial se tornem um canal, proporcionado mais à evangelização do mundo atual que à auto-preservação (EG 27).

Um grande amigo meu, padre Sávio Corinaldesi, em uma entrevista ao Jornal Parceiros das Missões, escreveu uma frase que peço permissão para transcrevê-la, pois, traduz tudo o que penso sobre o momento atual em que vivemos como Igreja. Diz ele então: “O Concílio Vaticano II tinha recordado que o anúncio do Evangelho até os confins do mundo é obrigação de todo cristão. Depois do Concílio, os papas continuaram a lembrar sobre a necessidade do empenho missionário. Mais de 2000 anos depois da sua vinda ao mundo, 70% da humanidade ainda não ouviu falar de Jesus Cristo e outros 30%, são 90% que precisam de uma nova evangelização. Em um mundo que criou o café descafeinado, o cigarro sem nicotina, o leite desnatado… nós inventamos a “missão sem saída”, o “envio” sem destino. Uma missão que não se aproxima das vítimas por receio de sujar as mãos ou a barra da túnica. Uma missão descompromissada assim, não serve mesmo. Melhor não fazer”.

 Hoje, passados dezenove anos, há ainda um longo caminho a percorrer. A missão continua. Salve esta data! Muita festa! Parabéns, Palmas, pelos seus dezenove anos! Tomara que seja um aniversário com pães missionários para serem compartilhados.

 

Dom Pedro Brito Guimarães,

Arcebispo Metropolitano de Palmas

 

Palmas, 31 de maio de 2015

 

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