Arquidiocese de Palmas

24 de agosto/2016, dia em que: CHEGAMOS AO LIMITE DA VIOLAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS OU TEREMOS QUE ESPERAR MAIS?

Pacientes foram para a porta do Hospital Geral de Palmas reclamar a falta de comida.

Hospital Geral de Palmas (TO) tem quase 400 pacientes sem comida.

O direito humano à alimentação (artigo 25 da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948).

Onde está todo mundo?

Onde estão as autoridades responsáveis em cuidar do ser humano?

Onde estão os candidatos? Em caravana política?

Será que só olharão para nós depois que forem eleitos?

Onde estão os anunciadores da Misericórdia?

Esqueceram de nós!

             Esqueceram da obra de misericórdia corporal: Dar de comer a quem tem fome e dar de beber a quem tem sede.

Você deve estar se perguntando: o que li acima são títulos de um texto? São fragmentos retirados de um texto? São só notícias corriqueiras do nosso mundo? Qual o significado de tudo isso?

É tudo isso que você perguntou e algo a mais.

São títulos que poderiam ser desenvolvidos em milhares de páginas escritas, porém não seria suficiente para descrever ou refletir o tamanho do descaso com um dos direitos humanos: o da alimentação.

Aquele direito que sem ele não podemos sobreviver nem aqui e nem em lugar nenhum.

Fico me perguntando qual a proporção e repercussão desta notícia?

Arrisco em dizer que ela deveria ser semelhante a do terremoto no centro da Itália ocorrido no mesmo dia. Este terremoto até o presente momento deixou 247 mortos. Apesar do desastre ocorrido, é considerado como uma catástrofe natural. Esta notícia levou o mundo a olhar numa única direção: a do centro da Itália.

Enquanto isso, na mesma data, “cerca de 400 pacientes internados em Palmas foram para a porta do Hospital Geral de Palmas reclamar que acabou a comida."

Isso sim não é catástrofe natural, e nem se fosse não despertaria o mundo para olhar para o centro de Palmas.

Este fato não daria notícia a ponto de despertar e fazer girar as lentes do mundo para um único lugar.

As 400 pessoas não foram soterradas pelo abalo sísmico, mas pela indolência voluntária daqueles que deveriam prover e assegurar ao ser humano “a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação”.

Somente vieram em socorro desses “esquecidos” os vendedores de marmitas:

 "Toda vez que falta a gente vem. Além de ganhar um dinheiro extra, a gente ajuda o pessoal porque comer em restaurante fica mais caro", disse uma das vendedoras.

Eles apenas fizeram valer o artigo 25 da Declaração Universal dos Direitos Humanos? Colocaram em prática a primeira obra de misericórdia: dar de comer a quem tem fome?

Sim. Ao menos algo foi feito.

Outras ações estão sendo feitas no dia a dia, por entidades sensibilizadas com o descaso. Igrejas, aquelas que muitos acham que deveriam não existir, dão assistência contínua aos doentes daquele e de outros hospitais. Elas assistem como podem aos doentes fazendo valer outra obra de misericórdia: visitar e assistir os enfermos.

São atitudes louváveis, mas não suficientes.

Será necessário muito, “mais de todos”, e “mais” ainda dos que detém poderes públicos.

Só assim, sairemos desse “limite”, aumentando as ações humanas de misericórdia e fazendo valer os Direitos Universais,até agora presos quase somente na Declaração Universal. Os hospitais deveriam ser para tão somente curar e não matar.

“Trabalho no Hospital”, disse uma enfermeira, “quando chego e abro a porta da enfermaria, sinto o cheiro de carne podre. Penso que não estou num hospital”.

Chegamos ao limite ou teremos que esperar mais?

 

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