Arquidiocese de Palmas

Artigos › 19/02/2019

AFINANDO O INSTRUMENTO DO ENCANTAMENTO

“Bendito seja Deus, o meu rochedo, que treina minhas mãos para a batalha e meus dedos para a guerra” (Sl 144,1).

 

Há poucos dias atrás orientei o retiro dos presbíteros da querida diocese de Guarulhos – SP. Parece que gostaram tanto que me pediram para eu escrever uma breve mensagem sobre o que mais foi vivenciado durante o referido retiro. Acho que não os cansei e até os ajudei no encantamento pela vida e pela missão presbiterais. Aliás, encantamento foi a palavra-chave deste nosso retiro. Disse a eles,o que digo a todos: o segredo de tudo na vida de um presbítero é o encanamento. O encantamento é a porta, a chave e o segredo da vocação, da vida e da missão de um presbítero. Sem encantamento a vida presbiteral perde essência, se torna monótona demais, exigente demais, pesada demais e difícil demais de ser vivida, aguentada e suportada. A vida presbiteral sem encantamento por Jesus e pelo seu Reino, por sua Igreja e por sua missão é como o sol sem calor, a noite sem estrelas, o jardim sem flores e todas estesencantos da natureza sem apreciadores, sonhadores e curtidores.

O instrumento que usamos para encantar e reencantarestes presbíteros foi a harpa de dez cordas, cantada e decantada pelo Salmo 144,9: “Ó Deus, eu canto para ti um cântico novo, vou tocar para ti a harpa de dez cordas: és tu que dás a vitória aos reis e salvas Davi, teu servo”.

Cantar a Deus um cântico novo e tocar para Ele na harpa de dez cordas supõe treinamento, adestramento,capacitação e afinação. Deus não gosta de canto desafinado. A arte de afinar um instrumento é a mesma da vida de um presbítero. O presbítero vive afinado e afinando o seu instrumento de trabalho: a sua vida, pois, segundo o poeta e letrista, Walter Franco, “viver é afinar o instrumento de dentro pra fora, de fora pra dentro. A toda hora, a todo momento, de dentro pra fora, de fora pra dentro”.

Para cantar e tocar para Deus, como se propõe,em nosso nome, o salmista, é preciso ser ou estar afinado. E não é fácil viver afinado e nem afinar um instrumento. Há uma série de condicionantes que desafina o nosso instrumento de trabalho. Desafinado, descompensado, desconjuntado e desarmonizado não se agrada e nem serve bem ao Senhor.Santo Agostinho comentando o salmo dos cantares do Senhor, disse que para se cantar a Deus um cântico novo se faz necessário cantar com a voz, com o coração, com os lábios e com vida. São com estes instrumentos afinados que fazem a beleza do cantar a Deus um cântico novo.

Falar em afinação de instrumento, na vida de um presbítero, é falar de harmonia, de sintonia, de integração e de comunhão com Deus, com a Igreja e com a sorte dos irmãos. Sobre tudo isto, não pode haver desafinação. Portanto, quem quiser cantar a Deus um cântico novo, sem ruídos e sem desafinação, deve se empoderar da arte de afinar o seu instrumento de trabalho.Bom encantamento para todos!

 Dom Pedro Brito Guimarães,

Arcebispo de Palmas – TO

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