Arquidiocese de Palmas

Amada INTERNET, nossa relação será até que a morte nos separe!?

Amada internet, não nos conhecemos na infância e nem na juventude. Não tivemos a oportunidade de nos conhecermos tão cedo assim. Naquele tempo, nossas amizades não eram virtuais. Para te conhecer precisávamos de computador, nem sabíamos o que era isso.

Nós invadíamos escolas, pulávamos muros, namorávamos por trás da Igreja, no parque etc. Era tudo real. Nossos amores e amizades tinham hora marcada para encontrar-se, brincar, jogar, conversar. Não trocávamos essas coisas reais por coisas virtuais, pois não tínhamos como fazer isso.

Aliás, nem sabíamos direito o que era uma relação virtual, ou quando ela estava online ou offline. O Celular, televisão, computadores eram para poucos e nem mesmo tínhamos tempo para essas coisas.

Amada internet, deves lembrar, que só nos conhecemos na nossa fase adulta. Encontramo-nos conectados a uma rede social.

Foi aí que você apareceu.

 Ali começou nossa relação virtual. Foi amor à primeira vista. Imediatamente nos conquistastes virtualmente.

A cada dia que passava nos envolvestes com seus aplicativos. Tomastes mais o nosso tempo, espaço, amizades, família, estudos, sonhos. Como não poderia ser diferente, começastes a controlar nossa vida.

Recordo bem que toda vez que nosso amor começava a esfriar ou cair na rotina, logo aparecias de outra forma, com novidades mais atraentes e irresistíveis.

Lembramos das suas maiores investidas:

Fostes aparecendo como messenger, skype, orkut, youtube, facebook, twitter, instagran, myspace, badoo, linkedin, periscope, whatsapp, snapchat e para não correr o risco de esquecer como #hashtag.

Todas as suas investidas, só nos deixavam cada vez mais dependentes. Elas nos exigiam mais tempo e dedicação. Ninguém e nada mais importavam tanto quanto vós, nosso tempo era todo vosso. Não conseguíamos enxergar mais ninguém.

Nossa relação foi ficando mais dependente, pois passamos a nos conectar através do celular e isso exigiu que olhássemos sempre para a palma da mão, para baixo. Só olhando fixamente para o celular na palma da mão é que conseguiríamos nos comunicar melhor. Realmente sabias bem como investir numa relação virtual.

O tempo passou e nossa relação foi ficando cada vez maior e dependente. Foi se tornando um vício. Daí começamos a pensar em separarmos. Quando você percebeu que nos perderia, logo tratastes de fazer uma nova investida, mas dessa vez deveria ser fenomenal.

Resolvestes aparecer revestida de um jogo com a “realidade aumentada” conhecido por Pokémon Go. Isso mesmo, um “monstro de bolso”. Desde que aparecestes, já tens cerca de 100 milhões de Pokefans apaixonados.

E como se não bastasse, exigistes que ficássemos te procurando por toda parte, correndo como loucos de cabeça baixa. Justo agora que tínhamos resolvido controlar essa relação, temos que andar atrás de ti em lugares que precisamos superar limites e obstáculos, correndo o risco de ser acidentados, atropelados, assaltados, violentados. Temos que te procurar em bares, museus, lojas, até em cemitérios ou igrejas.

Como é possível? Realmente a relação virtual supera limites e não têm barreiras. Que relação é essa que toda vez que te encontramos, precisamos destruí-la, explodida?! Deve ser relação mesmo de internet, relação Pokémon Go.

Quanto mais te encontramos, mais temos que te destruir; quanto mais te explodimos, mais nos recompensas. É a chamada “psicologia do reforço intermitente”, ou seja, a recompensa dos seus jogadores, seus Pokefans.

Amada internet, será que nem te destruindo conseguiremos nos afastar? És uma realidade invertida, nela não morres definitivamente, mas ressurges com novas formas, mais atraentes. Já conquistastes nossas crianças, pais, amigos, família…

 

 

Precisaremos nos acostumar com um tempo que não volta mais, aquele das realidades reais e não invertidas. Nele não precisávamos matar ninguém, bastava nos lançar na aventura própria e inocente de crianças, adolescentes e jovens, que não precisavam ficar de cabeça baixa, mas olhavam em torno e via tudo de bom e belo que existia, eram as “redes sociais interpessoais reais”. São só saudades de um tempo que não voltará mais. Aliás, “só se tem saudade do que é bom”

Será que precisaremos nos acostumar com essa nova realidade, onde baixamos as cabeças procurando relações virtuais, invertidas, aumentadas, relações que se desfazem a cada encontro, que explodimos e ainda somos recompensados!?

Amada INTERNET, percebemos quanto tempo gastamos nessa relação “curtindo”, “compartilhando”, e ainda mandando #hashtag.

Não poderemos mais viver condicionados, viciados.

Como nem a morte conseguirá nos separar, só nos resta inverteremos a realidade da nossa relação Pokémon, controlando quando, onde e como conectamos. Não te procuraremos mais em lugares estranhos e nem correremos mais riscos. Nossa relação será equilibrada e haverá tempo marcado para jogar e brincar.

Amada INTERNET, estaremos atentos as suas novas investidas. Já sabemos que você navega por aí com um modelo antigo, o Orkut, mas revestida de novos encantos, o Hello, novo site de relacionamento “com a promessa de ser uma rede de relacionamentos profundos e unidos por paixões, Hello se diz a primeira rede social construída através de amizades e em seu texto de apresentação, escrito e assinado por Orkut, avisa que o site será uma comunidade onde todos se sintam bem-vindos, inclusos e ninguém se sinta julgado”. É uma nova investida sendo bem preparada, que juntou um pouco de cada uma das suas vestes antigas, se fez nova e quer nos reconquistar. Ainda dizem que “o que passou não volta mais”.

Amada INTERNET, será um sinal de que nem o passado, nem o presente, nem o futuro e nem a morte conseguirá nos separar!?

 

 

 

Deixe o seu comentário





* campos obrigatórios.

X