Arquidiocese de Palmas

Bispos se manifestam contra o descaso com a saúde no Tocantins

A situação de abandono por parte da empresa responsável pela alimentação dos pacientes e familiares atendidos nos  Hospitais públicos em Palmas e no interior do estado sensibilizou os Bipos da Regional Norte III, da CNBB, Estado do Tocantins. Por meio de nota os representantes desta regional manifestaram a indignação que sentem diante da situação que se encontra a saúde pública  do Tocantins.

Os bispos destacam ainda  a carência de vagas nos hospitais, a falta de materiais, de insumos, de médicos e de medicamentos, fato constante nos hospitais do estado.A nota destaca que a saúde é um dos direitos básicos do cidadão, assegurado pela Constituição Federal do Brasil. "O Sistema Único de Saúde – SUS, a quem defendemos, embora revele seus limites, não suporta e não permite improvisação".

 

Para os representantes da Regional III, da CNBB. no Estado do Tocantins, esta situação virou caso de polícia enquanto, perplexos, ouvem notícias  do aumento de salário e de outras vantagens para alguns servidores públicos, o que" demonstra cabalmente que a saúde  não é prioridade".

A  nota conclui lembrando que o objetivo do manifesto vem de encontro com o Ano da  Misericórdia e portanto  “dar de comer a quem tem fome” e “visitar a quem está doente”, constitui um gesto de  solidariedade. Os bispos fazem um apelo  às paróquias para que possam sensibilizar os paroquianos para uma coleta de alimentos não perecíveis, materiais de higiene e outros insumos, para doação  aos Hospitais.

A nota é assinada pelos bispos Dom Philip Eduard Roger Dickmans,Bispo de Miracema e Presidente do Regional Norte III; Dom Pedro Brito Guimarães,Arcebispo de Palmas; Dom Romualdo Matias Kujawski,Bispo de Porto Naciona;  Dom Giovane Pereira de Melo,Bispo de Tocantinópolis;  e Padre Manuca Neres Brito,administrador da Prelazia de Cristalândia

Veja a nota na integra:

Nota dos Bispos do Regional Norte III, da CNNB, Estado do Tocantins
A SAÚDE DO TOCANTINS ESTÁ DOENTE E COM FOME
Nós, Bispos do Regional Norte III, da CNBB, Estado do Tocantins, assistimos, pelos meios de
comunicação, e presenciamos, com os olhos de pastores, com pesar, quase impotente e com indignação, a
situação pela qual passa a saúde pública no Estado do Tocantins. Embora admitamos não ser exclusividade
do nosso Estado, a falta de vagas, de leitos, de materiais, de insumos, de médicos, de medicamentos são
recorrentes e corriqueiras nos noticiários e nas redes sociais. No entanto, o que mais nos chama a atenção é
a falta de alimentação para os pacientes e acompanhantes.
O fato é que nosso povo está sofrendo. A saúde é um dos direitos básicos do cidadão, assegurado
pela Constituição Federal do Brasil. O Sistema Único de Saúde – SUS, a quem defendemos, embora revele
seus limites, não suporta e não permite improvisação. Esta situação virou caso de polícia e gerou
comentários e críticas nas grandes redes de comunicação do Brasil. A saúde, a doença e a fome não podem
esperar. O que fazer? A quem responsabilizar? A quem recorrer? Como nos posicionarmos?
É difícil não admitir que as crises política, social e econômica pela qual passa o Brasil, ligadas às
questões locais de má gestão dos recursos públicos, à falta de transparência, às denúncias de corrupção, à
excessiva burocracia e aos problemas decorrentes de licitação e contrato com empresa prestadora de
serviço à Secretaria de Saúde, contribuem, para o agravamento da situação do atendimento aos usuários do
sistema de saúde no nosso Estado. A Auditoria que foi submetida à Secretaria de Saúde, embora não
conheçamos o resultado, é um indicativo plausível de como os recursos destinados à saúde podem ter sido
desviados para outras finalidades.
Enquanto ouvimos com perplexidade, a notícia do aumento de salário e de outras vantagens para
alguns servidores públicos, ver a situação em que se encontra a saúde neste Estado, demonstra cabalmente
que ela não é prioridade. Vemos também com preocupação o Estado basicamente parado, devido à greve
geral dos servidores públicos.
Estamos em pleno Ano da Misericórdia. E o objeto desta Nota incide sobre duas obras de
misericórdias corporais: “dar de comer a quem tem fome” e “visitar a quem está doente”. Por isto, como
gesto concreto da nossa solidariedade, fazemos um apelo às paróquias para que possam sensibilizar os
paroquianos para uma coleta de alimentos não perecíveis, materiais de higiene e outros insumos, para
doarmos aos Hospitais.
Como dissemos na Campanha da Fraternidade de 2012: “que a saúde se difunda sobre a terra”
(Eclo 38,8).
Que Nossa Senhora da Saúde e dos Remédios nos inspire, com palavras e ações, para tratar com
dignidade as pessoas que procuram as Unidades de Saúde do Estado do Tocantins.

Palmas, 26 de agosto de 2016

Dom Philip Eduard Roger Dickmans,
Bispo de Miracema e Presidente do Regional Norte III
Dom Pedro Brito Guimarães,
Arcebispo de Palmas
Dom Romualdo Matias Kujawski,
Bispo de Porto Nacional
Dom Giovane Pereira de Melo,
Bispo de Tocantinópolis
Padre Manuca Neres Brito,
Administrador da Prelazia de Cristalândia

Deixe o seu comentário





* campos obrigatórios.

X