Arquidiocese de Palmas

Artigos › 19/02/2019

Carta Pastoral sobre as Eleições 2010

Aos Presbíteros e Diáconos,

Aos Religiosos e Religiosas,

Aos Seminaristas da Arquidiocese,

Aos Membros de Comunidades de Vida,

Às Pastorais Arquidiocesanas,

Aos Movimentos e Serviços Apostólicos e de Espiritualidade,

Às Escolas Católicas dos diversos níveis,

Às Obras Sociais da Arquidiocese,

Ao Povo de Deus nas Paróquias da Arquidiocese,

A todos os homens e mulheres de boa vontade.

 

TEMPO DE ESCOLHA

“Escolhei hoje a quem haveis de servir; se aos deuses a quem serviram vossos pais, ou aos deuses em cuja terra habitais. Porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor.” (Js 24.15).

Vivemos um tempo da história muito importante, para nós, nossos filhos e para as futuras gerações que virão. O Brasil mais uma vez vai parar para escolher aqueles homens e mulheres que cumprirão, nos próximos quatro anos, os mandatos de governantes, em nosso Estado e País. No dia 03 de outubro, além de escolher Governador e Presidente, escolheremos Deputados Estaduais, Federais e Senadores. Estes últimos serão os responsáveis pela próxima legislatura, ou seja, votarão as novas leis que tramitam no Congresso, passam pelo Senado e depois são sancionadas ou vetadas pelo Presidente da República.

Vivenciamos um período no qual é preciso um grande discernimento, uma boa dose de bom senso e de prudência, pois as leis que vem sendo elaboradas e que depois serão votadas, mexem com a vida de todos nós cidadãos. Leis como as que regulam a imprensa; descriminalizam e legalizam o aborto; permitem a união matrimonial entre pessoas do mesmo sexo e outras, que por detrás da pretensão de direitos humanos, ferem esses mesmos direitos em seu princípio. Sem citar, ainda, aquelas reformas tão esperadas e necessárias, mas que nunca saíram do papel, como a reforma tributária, agrária, saúde, educação, uma nova segurança pública e outras mais.

Neste tempo é bom estar em alerta para não incorrer em alguns enganos que irão gerar arrependimento futuro. Como exemplo, queremos lembrar alguns: não se pode escolher um governante como quem torce para um time de futebol, ou seja, perca ou ganhe, seja honesto ou não, não importa, “é o meu time”, é o meu candidato. Não! Não podemos nos deixar inflamar pela paixão do partidarismo ou rivalidades pessoais; outras tentações que podem arrastar são as ondas “do eu vou com os outros”, ou pior, cair na indiferença de anular o voto, ou “votar por protesto” naquele que seja mais jocoso, engraçado e que se julgue o pior, para que a anarquia aparente se estabeleça de uma vez!

Atentos irmãos, quem sofrerá seremos nós e nossos filhos. O momento pede um pouquinho só de um bom sacrifício, o de pensar. Pensar, analisar, refletir e votar acertadamente. Para isso, a Igreja Católica Apostólica Romana, unida a outras

Igrejas Cristãs e a vários outros setores organizados da sociedade que lutam em defesa da vida e dos princípios da família, oferece aos seus fiéis alguns critérios a serem observados e que iluminam nossas ideias.

A Arquidiocese de Palmas, em consonância com a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), sugere 10 pontos de reflexão que nos permitem refletir sobre os candidatos e, principalmente, as propostas dos partidos:

1. O poder emana do povo (Votar é um direito e um dever a ser exercido);

2. O exercício do poder é um serviço ao povo (Notar quem são os verdadeiros favorecidos);

3. Governar é promover o bem Comum (Solidariedade, justiça, paz, segurança,

saúde e educação);

4. O bom governante governa para todos (Desenvolvimento de políticas para as

camadas mais frágeis da sociedade);

5. O homem público deve ter idoneidade moral (Vote em candidato “ficha limpa”, dignos de confiança);

6. Voto não é mercadoria (Lembre-se que existe em Palmas o movimento “Voto não tem preço, tem conseqüência” e denuncie qualquer tipo de suborno que caracterize venda de votos);

7. Voto consciente não é troca de favores (Não se deixe manipular por promessas infundadas. Conheça bem seu candidato, sua história);

8. A religião pertence à identidade de um povo (A liberdade de consciência, a convicção religiosa e os seus símbolos sagrados devem ser respeitados, bem como a livre expressão de fé);

9. Família é um patrimônio da humanidade e bem insubstituível da pessoa (Verificar quem está de acordo em proteger e defender a ordem natural da família, pois a sociedade que não cuida da família destrói suas próprias bases).

10. Votar não é tudo (É preciso acompanhar os trabalhos dos candidatos eleitos e cobrar o desempenho comprometido).

Estamos diante do mais nobre exercício de democracia e de cidadania, que é a livre escolha de nossos futuros governantes e legisladores. É preciso, dentro dessa mesma liberdade, como cristãos, depositar o voto, nossa confiança e esperança, naqueles em que a consciência, iluminada pelos valores do evangelho, nos indicar.

 

Queremos, como Igreja local, unidos ao nosso Administrador Apostólico Dom PHILIP DICKMANS, juntar a nossa oração à oração de todo povo fiel; e invocar as bênção do Deus Altíssimo sobre o nosso Tocantins e o nosso Brasil.

 

Que a nossa escolha e de nossa casa, seja a escolha do Deus da vida!

 

Em Cristo Jesus,

Pe. Marcos Antonio Tavoni

Secretário do Colégio de Consultores da Arquidiocese

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