Amado, amada de Deus, tenho sede de ser agraciado e agradecido!

 

Você já deve ter ouvido a narrativa do evangelho em que Jesus cura dez leprosos e só um volta para agradecê-lo. O episódio é bastante conhecido. E também a lição que ele traz. São de leprosos: nove hebreus e um samaritano. Existem doenças que são democráticas, atinge a todos igualmente. A lepra era uma dessas doenças. A lepra não distingue entre judeus e gentios, galileus e samaritanos. Diante da lepra somos todos iguais. Todos são irmãos na miséria. No agradecimento, somos diferentes: uns agradecem e outros não.

Há uma tradição judaica, bem antiga, que diz: “aquele que desfruta de um bem qualquer neste mundo sem dizer antes uma oração de gratidão ou uma benção, comete uma injustiça”. Tudo é dom e graça de Deus. Por isso, se esquecer de agradecer é passar ao lado da maior beleza da vida.  Onde não há gratidão, o dom fica perdido. Há um ditado popular que diz: “a ingratidão tira a afeição”. Os nove foram ingratos. Somente um foi grato. O ingrato é ingrato exatamente porque não é grato. Do agradecimento brota um estado interior de consolação, de disponibilidade, de agilidade em dar resposta às demandas da vida, de uma sensibilidade mais viva para perceber tudo aquilo que a vida cotidiana tem de dom e sem ansiedade por não receber compensações ou recompensas.

Um dado peculiar deste evangelho é que Jesus não fala em agradecimento; fala em glorificar a Deus. O ex-leproso samaritano não voltou para agradecer, mas para dar graças a Deus. Dar graças a Deus é muito mais do que um simples “obrigado”. Gratidão é alegria e amor. Que virtude mais leve, mais luminosa, mais humilde, mais feliz! Gratidão é desfrutar a eternidade no cotidiano da vida. Nossa missão é pensar e falar agradecidamente, e ter gestos de gratuidade com todos.

A maior virtude evangélica, ensinada por Jesus, é passar do agraciado ao agradecido e do agradecido à louvação. O corpo curado da lepra é o que dá glória a Deus. Diante disto, Jesus lhe disse: “levanta-te e vai, tua fé te salvou!” Aquele ex-leproso é um homem de fé que não pára no milagre.

Neste mundo marcado pelo monetarismo, ou seja, pelo dinheiro, o que é que se encontra “de graça”? Onde? Tudo é pago, bem ou mal pago, mas tudo é pago.

Passemos do evangelho à vida amado, amada de Deus: você já agradeceu hoje a Deus pelo milagre na sua vida? Você já agradeceu pelo dia que nasceu, pela cama que o acolheu durante à noite inteira, pelo quarto que o protegeu, pelo sol que brilhou, pelo ar que respirou, pela comida que comeu, pela água que bebeu, pelas pessoas que encontrou no caminho, pelos pássaros que cantaram ao seu redor, pelas flores que embelezaram e perfumaram o jardim da sua vida? E por que mais? Hoje, amado, amada de Deus, faça a experiência de passar do agraciado ao agradecido e do agradecido ao louvor a Deus.

Um bom dia e fique com Deus!