Amado, amada de Deus, tenho sede da PEC do Teto!

 

Nestes últimos tempos esquentou o clima na política e na sociedade: de um lado, o governo com toda a artilharia dos partidos da base aliada, fazendo pressão, votando às pressas, oferecendo jantar para e outros benesseres para conquistar votos para aprovar a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) do Teto dos gastos públicos. Do outro, a sociedade civil não-governamental atônita. Muito pouco para um país em desenvolvimento, a sexta economia do mundo, que quer ser referência no cenário mundial globalizado. Esta PEC está longe de ser unanimidade. No entanto, há quem a defenda com unhas e dentes e há que a rejeite sumariamente. Como não está havendo consenso, é sinal que não se está falando a mesma linguagem, está sobrando acusação e está faltando conversa, diálogo e entendimento. Para quem a defende é a única maneira de salvar o Brasil da crie porque passa. Aliás, parece que esta é a única saída para salvar o país. Para que a rechaça é a PEC da vergonha, da perversidade e da injustiça. A tal PEC ou é uma opção político-social ou uma responsabilidade fiscal.

Ninguém de sã consciência pode ser contra o controle dos gastos públicos. Ninguém pode simplesmente ser contra que haja leis ou controles das gastanças que o governo faz com o nosso dinheiro. Mas ninguém é tão ingênuo para não perceber que outros interesses subjacentes, por trás de tudo isto. Há sim, amado, amada de Deus. Há algo errado nesta conta. A conta não fecha. Esta história está mal contada? Toda opção na vida tem um preço embutido a ser pago. Quem vai pagar o pato ou a conta?  Alguém vai pagar a conta. Perguntado a sua opinião sobre a PEC, o cardeal Raymundo Damasceno, arcebispo de Aparecida, respondeu: “que os pobres não paguem a conta do país”. E como sempre, quase sempre quem paga a conta é quem não deveria e nem podia pagá-la: os mais pobres, os que têm menos articulação, os que estão mais distantes do centro do poder, os que têm menos voz e vez, os que estão menos articulados político e socialmente. Costumo dizer que ninguém come de graça. Alguém pagou o almoço que comemos.

É preciso questionar a real intenção do governo. Esta é um exemplo de mentira organizada, midiática, com cara de verdade. Por que o governo não corta na própria carne? Por que não se faz uma lei para enxugar a máquina, reduzir privilégios, salários astronômicos e as mordomias dos que já tem até demais? Por que somente os mais pobres terão que pagar a conta? Por que não proteger os que só têm seus direitos assegurados e garantidos no papel? Por que é retirado mais dos que têm menos? Por que os que têm mais são retirados menos? A corda sempre quebra do lado do mais fraco.

  Sobre isto, disse o papa Francisco: “unamos as nossas forças, morais e econômicas, para lutar juntos contra a pobreza que degrada, ofende e mata tantos irmãos e irmãs, colocando em prática políticas sérias para as famílias e para o trabalho”.

É isto que defendemos. É disto que temos sede, amado, amada de Deus. E você tem sede de que?Um bom dia e fique com Deus.