Amado, amada de Deus, tenho sede do poder da oração!

 

Muito se fala por aí que a oração está em crise, da perda gradativa da prática da oração e da diminuição dos verdadeiros orantes. Mas, o que não está em crise neste mundo líquido, quase ateu, quase agnóstico, totalmente indiferente? Os dados estatísticos não são nada animadores: dizem que a Europa vai deixar de ser cristã e se tornar muçulmana e o Brasil vai deixar de ser católico e se tornar protestante. Deus me livre e guarde! Certamente tem razão o teólogo J. B. Metz quando denuncia que na vivência cristã há demasiados cânticos e poucos gritos de indignação, demasiada complacência e pouca aspiração por um mundo mais humano, demasiado consolo e pouca fome de justiça.

A oração tem poder e é este seu poder que fará a diferença. Há um episódio bíblico muito interessante a este respeito. No episódio da batalha contra Amalec, Josué e seus comandados estão na fronte da batalha, enquanto que Moisés está de pé no topo da colina com os braços erguidos, rezando. São duas armas usadas: a oração e a ação para vencer as batalhas. Mas de vez em quando, com o peso, seus braços caem e, nesses momentos, o povo perde. Então Aarão e Hur fizeram Moisés sentar-se numa pedra e sustentavam os seus braços erguidos até a vitória final. Mais uma vez, oração e ação para vencer a guerra.

Neste episódio, amado, amada de Deus, há uma lição importante: o compromisso da oração exige que nos apoiemos uns aos outros. O cansaço é inevitável, mas com o apoio dos irmãos, a nossa oração pode continuar, até que o Senhor conclua a sua obra.

Jesus foi o mestre de oração: rezou e ensinou a rezar e mostrou-nos a necessidade de rezar sempre e nunca desistir. A oração é a energia, o combustível, o motor e os pneus que fazem o nosso carro andar. Uma pessoa sem oração é como um carro sem bateria, sem energia, sem combustível e sem pneus para rodar estrada a fora. Este é o estilo de vida espiritual que a Igreja nos pede: não para vencer a guerra, mas para vencer a paz. Esta é a maneira cristã de agir: ser firme na oração para se manter firme na fé e no testemunho. Rezar não é refugiar-se num mundo ideal, não é evadir-se numa falsa tranquilidade egoísta. Pelo contrário, rezar é lutar e deixar que o próprio Espírito Santo reze em nós. É o Espírito Santo que nos ensina a rezar, guia na oração e faz rezar como filhos.

O poder da oração, amado, amada de Deus, está consignado ao poder da ação. É a regra beneditina: “ora et labora” = oração e trabalho. Rezar e trabalhar, sem cessar e sem nunca desanimar para vencer as tentações! Mais que ser insistente, orar sem cessar significa levar uma vida de oração, de estar permanentemente em atitude de escuta, de discernimento. Isso é orar sem cessar. Esta é uma atitude de vida de oração. Sem oração a vida perde muito do seu sentido. Sem ação a vida cai na evasão e se torna alienação.

E você, amado, amada de Deus, o que pensa sobre isto? Como você comunga vida de oração e ação? Trabalha mais e reza menos ou reza menos e trabalha mais? O desejável é o equilíbrio: oração e ação. Um bom dia e fique com Deus!