Amado, amada de Deus, tenho sede dos vazios de Palmas!

 

Tenho cantarolado, a todo pulmão, quase à exaustão, por onde vou: “sou mais Palmas!” E de fato, sou mesmo “mais Palmas!” Só tenho uma coisa que me preocupa: o vazio de Palmas. O vazio a qual tenho sede é de dois tipos: o vazio urbano e o vazio humano. Quase ritmou. Mas não é para rimar. É para lamentar e lastimar, questionar e inquietar.

Primeiro vazio: o vazio urbano: É notório, é visível: Palmas é uma cidade muito extensa, estreita, vazia e pouco habitada. O seu tecido urbano é muito esticado. Por vazio urbano entende-se os espaços não construídos, as áreas ociosas, sem função social. Com isto, é tudo muito longe, tudo fica mais caro. Gasta-se muita água, com asfalto e iluminação pública. Para ir de um lugar a outro gasta-se muita sola de sapato e muito combustível. O bonito e o distante ficam caros, frio e vazio.

O segundo vazio: o vazio humano: Enquanto o primeiro tipo de vazio é visível, este segundo tipo de vazio é menos visível e percebível, mas é mais sentido e vivido. Ele existe. Há vazios existenciais e vivenciais. Há vazios na mente, no coração, nas mãos e na vida. Há vazios nas relações, nas palavras e nas ações. Há vazios nas casas, nas mesas, nos copos e nos pratos. Há vazios nas ruas, nas praças e nas igrejas.

Vazio urbano e vazio humano. Um puxa o outro. Um incide no outro. Um é copia do outro. Um determina o outro. Um é modelo do outro. Um é pai e é mãe do outro...

Muitos se matam e morrem por causa destes vazios. E muitos estão sofrendo de depressão, de stress, de insônia, de alcoolismo, de excitantes e de drogas. A ansiedade é um mal generalizado. Há fobias de todos os tipos. Isso tudo claramente aponta para um sentimento de vazio no ser humano. “Homem algum é uma ilha”, diz Tomás Merton.

Mas, amado, amada de Deus, há um terceiro vazio que preciso também evidenciar, porque ele é talvez mais devastador do que os dois tipos, acima referidos. Trata-se do vazio de Deus. Palmas se parece e se apresenta como uma cidade religiosa, “cidade das igrejas”, a Capital da Fé. Nem por isto, se pode perceber o vazio de Deus. O fato de ter muitas religiões e muitas igrejas não impede este vazio de Deus.

O romancista russo Dostoieviski escreveu: "há no homem um vazio do tamanho de Deus". De igual modo, o matemático Pascal afirmou: "há no homem um buraco na forma de Deus". Creio que essas afirmações são verdadeiras e verdades aqui em Palmas.

E você, amado, amada de Deus, sente este vazios? E qual dos três lhe incomoda mais e lhe deixa vazio?

Um bom dia e fique com Deus!