Amado, amada de Deus, tenho sede de morrer de amor pelas artes!

 

Não costumo fazer homenagem a alguém que morre neste meu programa. Não é o estilo deste quadro e não foi programado para isto. Mas, estou morrendo de amor pelas artes. E recentemente aconteceu uma morte que me forçou a rever esta minha decisão e dedicar este programa a uma pessoa que fez muito e morreu pela arte, pintando a Basílica de Aparecida, para a celebração dos 300 anos de fé e devoção. Trata-se do artista plástico Cláudio Pastro, considerado, pela mídia, como o principal artista sacro do país na atualidade.

Ele é responsável por mais de 350 obras, espalhadas pelo Brasil e pelo mundo. Era responsável por várias obras no Santuário Nacional de Aparecida, admiradas pelos romeiros e peregrinos que visitam Aparecida. Elas permanecerão como perene memória da sua arte, da sua fé e do seu talento. As pinturas relembram as riquezas e as belezas da fauna e da flora brasileiras. Certamente quando terminada vai ser uma das mais belas Basílicas do mundo. A última obra sua foi uma bela imagem de Nossa Senhora Aparecida nos jardins do Vaticano, inaugurado recentemente pelo papa Francisco.

Segundo ele mesmo afirmou que “a arte é como a água: é imprescindível!” Como sem água não se vive, sem arte também não se vive. Ele disse ainda que alguém já chegou a afirmar para ele que “a arte é luxo”; e que “é o ópio do povo”. Arte não é luxo e também não é ópio do povo. Depende, evidentemente. Ao menos a arte do Pastro não é. Tenho pena de quem pensa assim. A arte é beleza. E a “a beleza salvará o mundo”, como nos ensina Dostoiewski.

O belo das criaturas é uma via ao Belíssimo, o Criador. A arte irradia uma nova espiritualidade da alegria de viver. Contemplar uma obra de arte é uma terapia para a alma. A alma é curada e se chega por meio dela ao Criador. A nossa cultura, dominada pelo marketing, vê a beleza como estética fabricada. Com isto a arte se transforma em uma beleza fria e com uma aura de artificialidade, incapaz de irradiar. Daí irrompe a vaidade, não o amor, pois a beleza tem a ver com amor e a comunicação. Por ser construída, é uma beleza sem alma, sem vida e sem fé. Não basta que a mensagem seja boa e justa. Ela tem que ser bela, pois só assim chega ao coração das pessoas e suscita o amor que atrai.

A beleza é um valor em si mesmo. É gratuita e sem interesse. É como a flor que floresce por florescer pouco importa se a olham ou não. Quem não se deixa fascinar por uma flor que sorri gratuitamente ao universo? Assim devemos viver a beleza no meio de um mundo de interesses, trocas e mercadorias. Então ela realiza sua origem sânscrita de “beleza” que quer dizer: “o lugar onde Deus brilha”. Brilha por tudo e nos faz também brilhar pelo belo que se irradia de nós.

Morre o artista, mas a arte não morre. Morreu Pastro, mas a sua arte permanece entre nós para fazer lembrar de Deus e aumentar a nossa fé e a nossa devoção.

Um bom dia e fique com Deus!