Amado, amada de Deus tenho sede do dia de fintados

 

“Hoje é dia dos fieis falecidos!” Certamente nas redes socais e nas rodas de conversas desta semana este foi o assunto mais comentado: “Dia de Finados: o que fazer? O que dizer? Como se comportar? O que rezar? E o que crer?”. “Morte e luto”, “cemitério e defuntos” são palavras fáceis de serem escritas e pronunciadas, mas difíceis de serem internalizadas e vivenciadas. O que é cemitério? O que é finado? E o que é defunto? Sobre isto, muito se pode dizer. Vou ser breve e econômico nas palavras para dar espaço à emoção, à meditação, ao silêncio, à oração e à visitação. Afinal, o espírito deste dia requer tais posturas e atitudes. Não é dia para se filosofar, mas para rezar e crer na ressurreição.

A morte bate à porta, o coração sangra e os olhos derramam lágrimas. A palavra “cemitério” significa “fazer deitar”, “deixar descansar e dormir”. Cemitério é, portanto, lugar em que se enterra os defuntos; é ponte entre a casa dos vivos e a dos mortos; é o local de vida dos que morreram; é pequena cidade, em miniatura, dos mortos; é espaço da inter-relação da existência humana com a sua finitude, a sua fé, a sua indiferença e a sua incredulidade; é lugar da dúvida, da crise, do choro, das lágrimas e da saudade; é sementeira e canteiro da reconstrução de mulheres e homens novos; é espaço sagrado de silêncio, reverência, piedade, devoção e oração; é lugar para se depositar flores, velas, coroa de flores, faixas, cruzes, frases bíblicas de saudade, fé e esperança; é espaço de artes, de urbanismo, de preservação e de respeito à vida e à natureza; é fonte de problemas ambientais e sanitários. Quem vai ao cemitério pisa neste terreno movediço, na fé, na esperança e no amor.

Cemitério é lugar de se referenciar e rememorar a vida e a morte. O que é a morte? É uma pergunta difícil de ser respondida. A morte é um mistério profundo. Por isto, é morte. O que se diferencia é a interpretação de um cristão e de um não-cristão. Para o cristão a morte segue as pegadas da morte de Jesus: morreu e ressuscitou para nos salvar. Tudo morre nesta vida, mas tudo deve ressuscitar. A oração pelos defuntos é tradição na Igreja Católica. A Igreja celebra o Dia de Finados pela fé no Mistério Pascal de Jesus Cristo, com a firma esperança de que os que, aqui na terra, pelo batismo, se tornaram membros de Cristo, passem com Ele, à vida eterna. Para quem crer em Jesus a vida não é tirada, com a morte, mas é transformada. E desfeito, pela morte, o corpo mortal, é novamente dado no céu um corpo imortal (cf. Prefácio dos fieis Defuntos I).

A vida cristã é impelida por esta esperança: os sofrimentos e as feridas, as dores e as desilusões, as doenças e as mortes são companheiras desta viagem, ruma à pátria definitiva, onde veremos Deus face a face e viveremos com Ele eternamente. Não temos aqui na terra morada permanente. Nossa pátria é o céu (Ef 2,20-21). E nosso céu é o amor infinito e misericordioso de Deus por todos nós. Morrer significa também morrer ao pecado e ao mal e renascer para um novo céu e uma nova terra. Portanto, a nossa mãe Igreja nos ensina a crer que há um tempo, não sabemos quantificar, de purificação depois da morte, para que ninguém se auto-proclame salvo. Não existe auto-salvação. Quem nos salva é Jesus Cristo: pela sua dolorosa paixão somos confortados e redimidos; pelas suas chagas somos escondidos e curados; pelo seu sangue somos lavados e inebriados; e pelo seu corpo somos regenerados. A oração que fazemos ao redor de um morto ou aos pés de uma cova traduz exatamente esta fé: a minha oração pode ajudar o meu irmão a se purificar, se houver esta necessidade. Por isto, o nosso pedido final para todos os fieis defuntos é este: “dai-lhes, Senhor, o repouso eterno e a luz perpétua os ilumine. Amém!

Um bom dia e fique com Deus!