Arquidiocese de Palmas

CRUZ DA MISERICÓRDIA NA ARQUIDIOCESE DE PALMAS

 

Entramos no limiar do encerramento do Ano Santo da Misericórdia. Estamos apagando as suas luzee fechando as suas portas. Encerra-se o Ano da Misericórdia, mas a Misericórdia não termina porque ela é sem limites e sem fronteiras. Ela jamais passará. O ser, o agir e o nome de Deus são Misericórdias. Por isto, não me sentiria bem terminar este Ano da Misericórdia sem realizar este ato de fé: entregar às vinte e seis paróquias da Arquidiocese de Palmas a Cruz da Misericórdia para que todos nós, aos seus pés, possamos nos confessar pecadores e necessitados da Misericórdia Divina. Como aconteceu no exílio e no deserto, ao olharmos para ela, possamos ser curados das picadas e dos venenos, das feridas, das debilidades e das catividades (Nn 21,9; Sb 16,5; Jo 3,14).

Alguns querem um cristianismo sem Cruz. Não existe. É inútil procurá-lo. Na Cruz Jesus venceu definitivamente o mal. Por ela Jesus fez, em si mesmo, de dois povos um único povo, restabelecimento a paz e aniquilando a inimizade (Ef 2,14-16). Quando Jesus nos convidou a segui-Lo, escolheu como símbolo deste seguimento radical, a Cruz: “se alguém quer vir após mim tome a sua Cruz e siga-me” (Mt 16,24; Mc 8,34; Lc 9,23;14,27). A Misericórdia Divina tem o formato de Cruz. Na dolorosa paixão de Jesus Cristo somos confortados e redimidos; nas suas chagas sagradas somos escondidos e curados; no seu precioso sangue somos lavados e inebriados; e no seu santo corpo somos alimentados e regenerados. O nosso formato também é um formato de cruz. A cruz na nossa vida aponta para o infinito (alto) e para o finito (baixo), para as nossas necessidades (esquerda) e para as nossas possibilidades (direita). Quem nela não se equilibra cai na presunção e na esquizofrenia, no desespero e na depressão, na compulsão e na histeria.

Para o papa Francisco a Cruz de Cristo é uma grande obra de inclusão: “os seus braços alargados sobre a Cruz demonstram que ninguém está excluído do seu amor, da sua misericórdia, do seu perdão. Todos nós temos necessidade de ser perdoados por Deus. Na Cruz, a santa Igreja prolonga, no mundo, o grande abraço de Cristo, morto e ressuscitado!” A Cruz é Obra de Deus contra as obras do maligno. Sem Cruz não se pode viver. Não existe cristão sem Cruz. Sem Cruz não somos cristãos. Sem Cruz não há redenção. É preciso amar a Cruz para que ela nos ame. É preciso tocar à Cruz para que ela toque em nós. É preciso viver a Cruz para que ela se faça vida em nós. É preciso carregar a Cruz para que ela nos carregue nos seus braços. E é preciso assumir a nossa Cruz para que ela nos assuma e direcione o nosso caminhar.  

A verdadeira vida espiritual nasce do sagrado e bendito madeiro da Cruz. Não existe comprovação cientifica, mas segundo uma tradição oral a Cruz de Jesus foi feita da oliveira, a mesma árvore que dela tiramos e colhemos a azeitona, o azeite, o perfume e o remédio. Dizem que em um terreno em Jerusalém ainda cresce a árvore, da qual foi extraída a madeira para fazer a Cruz de Jesus. Hoje, seja em Jerusalém, que em quaisquer outras partes do mundo, inclusive aqui entre nós, estão faltando pessoas para plantar, cultivar e carregar a Cruz de Jesus.

 Portanto, deste Ano Santo da Misericórdia deixamos como testemunho, legado e herança esta Cruz, da Árvore da Vida e da Misericórdia, para que Palmas permaneça aos pés da Cruz de Jesus. Que esta Cruz, plantada no coração desta paróquia e todos os seus fieis, recorde que Jesus Cristo está vivo e sempre de braços abertos, na Cruz e na Glória, para nos acolher quando dele precisar. E que todos, a uma só voz, possamos dizer: “nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos, porque pela vossa Santa Cruz, remistes e mundo”.

Com esta Cruz, a minha bênção, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém!

 

                                                                                                                   Dom Pedro Brito Guimarães,

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