Arquidiocese de Palmas

Dom Pedro recebe o pálio em Roma

No dia 29/06, em Roma, Dom Pedro Brito Guimarães recebeu do Papa Bento XVI o pálio, símbolo da comunhão dos arcebispos com o Romano Pontífice. Confira abaixo a entrevista com o arcebispo de Palmas:

 

1) O que significa para a Igreja o símbolo do pálio?

Quem bem explicou o significa o pálio foi o papa Bento XVI, na sua homilia da missa dos apóstolos Pedro e Paulo: "Aos Arcebispos Metropolitanos nomeados depois da última festa dos grandes Apóstolos, será agora imposto o pálio. Este, que significa? Pode recordar-nos em primeiro lugar o jugo suave de Cristo que nos é colocado aos ombros (cf. Mt 11, 29-30). O jugo de Cristo coincide com a sua amizade. É um jugo de amizade e, consequentemente, um «jugo suave», mas por isso mesmo também um jugo que exige e plasma. É o jugo da sua vontade, que é uma vontade de verdade e de amor. Assim, para nós, é sobretudo o jugo de introduzir outros na amizade com Cristo e de estar à disposição dos outros, de cuidarmos deles como Pastores. E assim chegamos a um novo significado do pálio: este é tecido com a lã de cordeiros, que são benzidos na festa de Santa Inês. Deste modo recorda-nos o Pastor que Se tornou, Ele mesmo, Cordeiro por nosso amor. Recorda-nos Cristo que Se pôs a caminho pelos montes e descampados, aonde o seu cordeiro – a humanidade – se extraviara. Recorda-nos como Ele pôs o cordeiro, ou seja, a humanidade – a mim – aos seus ombros, para me trazer de regresso a casa. E assim nos recorda que, como Pastores ao seu serviço, devemos também nós carregar os outros, pô-los por assim dizer aos nossos ombros e levá-los a Cristo. Recorda-nos que podemos ser Pastores do seu rebanho, que continua sempre a ser d’Ele e não se torna nosso. Por fim, o pálio significa também, de modo muito concreto, a comunhão dos Pastores da Igreja com Pedro e com os seus sucessores: significa que devemos ser Pastores para a unidade e na unidade, e que só na unidade, de que Pedro é símbolo, guiamos verdadeiramente para Cristo".

2) O senhor fez alguma preparação espiritual para este evento?

Fiz, sim. Primeiro, cumpri todos os meus compromissos pastorais na arquidiocese de Palmas anteriormente agendados: visitei paróquias, celebrei nas festas dos padroeiros, crismei e investi ministros extraordinários da Comunhão Eucarística. Além disso, dediquei este mês de junho inteiro para conversar com os padres. Creio não haver preparação melhor para o recebimento de um dos simbolos mais fortes que um arcebispo recebe, como é o pálio, do que escutar, aconselhar, orientar, corrigir, atender pastoralmente as pessoas e os padres… Considero tudo isto um verdadeiro tempo de preparação para o recebimento do pálio. Isto sem contar com as minhas orações pessoas, os momentos de místicas. Ninguém é fiel a Deus sem contato com ele. Ninguém é fiel a Igreja sem comunhão. Ninguém é fiel a nada sem oração.

 

3) Quais foram as palavras do papa que mais lhe tocaram?

As palavras que mais me tocaram foram as palavras pronunciadas pelo santo padre, na missa da imposição do pálio, as quais já me fiz referência acima. Segundo o papa, o pálio é o jugo suave do amor de Cristo colocado sobre nossos ombros: o doce jugo do amor, da verdade, dac unidade, da caridade… Repito, estas foram as palavras que mais me chamaram a atenção: o pálio é o jugo suave do amor e da amizade com Cristo que assumimos, em priomeira pessoa, para o cuidado pastoral das suas ovelhas, ou seja, da humanidade inteira, sobretudo, daquelas ovelhas que se extraviaram ou que possuem os vincolos de pertença à Igreja e a Jesus Cristo muito fragilizados. Quando o papa colocou no meu pescoço o pálio me senti amarrado, acorrentado, puxado pelo pescoço para Cristo, por Cristo e em Cristo, para o serviço da evangelização e da missão. Ao mesmo tempo que me senti pastor, me senti, antes de tudo, ovelha do rebanho de Jesus. Senti o peso sobre meus ombros da dura realidade de pastorear em Palmas. Mas senti o quanto é gratificante este ofício de amor, este doce jugo de Cristro.

4) Qual foi o seu sentimento ao receber o pálio juntamente com Dom Sérgio da Rocha, arcebispo de Brasília, que trabalhou com o senhor por tantos anos no Piauí?

Com Dom Sérgio tivemos uma caminhada pastoral juntos. O conheci quando estudava Roma. Moramos juntos no Colégio Brasileiro. Depois o conheci bispo auxiliar de Fortaleza. Depois disto, fizemos uma longa caminhada no Piauí. E agora estamos novamente trabalhando juntos no mesmo Regional Centro Oeste. Não sei se é ele que me persegue ou se sou eu que o segue. O fato é que estas coincidências me fazem bem e me fazem pensar. Além de amigos que somos, temos a mesma missão: bispos para a Igreja. Palmas, dadas as proporções, se parecem com Brasília, ao menos no tempo em que ela começou. Vamos trabalhar juntos com o mesmo idela missionário, se Deus quiser. E Ele que, pois, Ele é bom.

5) Qual será o seu itinerário nestes dias, até o retorno a Palmas?

De Roma vou direto a Areia, na Paraiba, pregar um retiro para umas Irmãs Franciscanas, que havia me comprometido antes de ser destinado para Palmas. Não pude me livrar deste compromisso anteriormente assumido. Por isto só retornarei a Palmas no dia 9 de julho. São estes os ossos do ofício, ou melhor, o jugo suave de Cristo, que acabo de assumir para servir ainda mais a Igreja.

Durante estes próximos meses, não terei quase um dia livre para mim. Todos dedicados aos compromissos missionários. Afinal, quero ser um bispo missionário.

 

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