Arquidiocese de Palmas

Homenagem a São José padroeiro de Palmas-TO

Minha experiência na São José coincide com o início da arquidiocese de Palmas. Eu fui ordenado padre na São José em 07 de dezembro de 1996 e fiquei lá por 7 anos. A alegria de continuar o trabalho pastoral do monsenhor Jones, organizando vida paroquial que me fora entregue. Monsenhor Jones foi o grande iniciador da vida eclesial em Palmas. Coube-me ampliar os serviços pastorais e dinamizar a vida administrativa da paróquia. A partir da São José iniciamos o culto eucarístico fora da missa e ampliamos ao estado de Tocantins por onde estava esquecido. Foi uma experiência muito boa, somente tendo sido possível graças a disponibilidade de tantos leigos e leigas que também protagonizaram o anúncio do Reino na nascente arquidiocese. A graça de Deus não nos faltou e sua providência atestava sua presença entre nós. De modo que o meu nascimento sacerdotal aconteceu ali na São José, foi a minha primeira paróquia, conheci muitas pessoas boas, muitas pessoas santas, homens e mulheres devotados a Deus e com muita coragem. Com o espírito de fé demos sequência a esse trabalho bonito de fortalecer e consolidar a fé católica em Palmas, me alegro com toda a paróquia e peço que São José nos conceda a graça de sermos mais dóceis e simples como o próprio padroeiro.

 

Um fato muito pitoresco aconteceu em uma das procissões fluviais que fizemos. No momento de sair com a imagem de São José, todos felizes e aplaudindo o Padroeiro, a cabeça dele e do menino Jesus foram arrancadas pela tenda que estava armada na praça. Ela estava acima da imagem e quem transportava o Santo não viu que estava acima da tenda. Foi um momento de desespero e ansiedade. Fiquei com a cabeça de São José e seu Filho em minhas mãos sem saber o que fazer. A praça cheia silenciou atônita e olhava pra mim e para as cabeças em minhas mãos. Eu não sabia se chorava, se desistia, se desaparecia… Mas pedi que buscassem imediatamente uma cola. No nervosismo abri o tubo de cola, mas no nervosismo esparramou cola e gradou as cabeças em minhas mãos também deixando a situação pior. Colei as cabeças rapidamente e seguimos com a procissão, mas elas ficaram tortas e claramente arremedadas. Durante a procissão eu pedi pra que ninguém tirasse foto muito próximo da imagem. Os fotógrafos perguntavam o motivo e eu nem respondia, pois não queria que as fotos saíssem com as cabeças arremedadas. Eu só queria que aquela procissão terminasse logo e que as cabeças não caíssem no barco, rolassem e fossem parar dentro do lago. Depois disso, fiquei muito tempo pensando qual seria o sinal de Deus. O que Ele queria nos ensinar. Tirei muitas lições do fato. Depois de todo ocorrido precisamos mandar restaurar totalmente a imagem. Outra coisa que nunca esqueci foi quando monsenhor Jonas Pedreira contou que certa vez estavam ainda construindo a paróquia São José e muitas coisas não estavam da dando certo, levantam muro e caía. Daí, ele olhou para a imagem de São José e disse: “São José, larga esse menino é vem nos ajudar”. Achei muito espontâneo o fato, rimos muito. Nunca esqueci o que ele disse. Toda vez que estávamos passando por perrengues olhava pra imagem rezava assim: São José, tira esse menino dos braços e vem nos ajudar, e venha você também menino Jesus, afinal você é Deus. Eu fazia essa oração e ria ao mesmo tempo. Até hoje ainda rio quando lembro, mas ainda continuo rezando da mesma forma. Foram momentos muito particulares. Foi na paróquia São José que comecei a aprender a ser Padre e foi São José que me ensinou. Não posso esquecer tudo que passei como pároco. Tínhamos muitas pastorais, criamos muitos projetos pra ajudar as pessoas. Enfim, senti muito por ter saído antes de completar meu tempo, mas fui enviado pra estudar em Roma. Assim Deus quis, assim obedeci, por isso não me arrependi. Sou grato a Deus, pela intercessão de São José por tudo que passei. Fiquei muito feliz quando o papa Francisco em sua Carta Apostólica declarou este ano de “São José, Patris corde”. Pra mim o principal na Carta é o fato de São José ser apresentado como Pai. Talvez não seja uma novidade, mas é bom entender que ele não é só o Pai adotivo de Jesus, mas também nosso Pai “amado, terno, obediente, acolhedor, corajoso, trabalhador, guardião…” todas essas qualidades de São José foram aplicadas por ele para o crescimento do menino Jesus, mas elas também são aplicadas para nosso crescimento como filhos de Deus Pai. Patris Corde, eis mais um grande presente que Deus nos deu, e por meio da sua Santa Igreja nos relembra, nos chama a acolher tudo isso neste ano de São José, padroeiro universal da Igreja. Valei-me, São José, Pai adotivo de Jesus e nosso. (Pe Reginaldo Albuquerque)

 

“A proximidade com o povo também foi uma experiência muito válida, pois na época, estava trabalhando no seminário e fiquei meio distante do povo de Deus por um tempo, então pude me colocar dentro da realidade deles. Poder ajudá-los e também ser ajudado também, aprender a ser pastor, padre, no termo mais apropriado da palavra, portanto foi um tempo de maturação. Viver o ano de São José, nós como católicos e devotos, devemos buscar o conhecimento dos documentos pontifícios sobre este grande santo, patriarca da Igreja. Existem 7 documentos, do magistério de vários papas, sobre essa figura singular que é São José. Entre eles, o papa Pio XII, escreveu dois documentos, a INCLYTUM PATRIARCHAM e QUEMADMODUM DEUS, Leão XIII QUAMQUAM PLURIES, Bento XV Bonum sane, São João XXIII LE VOCI, João Paulo II REDEMPTORIS CUSTOS e por fim, Papa Francisco PATRIS CORDE. Portanto, os católicas devem conhecer os documentos, pois cada um traça um perfil e trás a tona uma virtude e reflexão sobre São José. Além disso, é oportuno observarmos uma grande virtude do santo, o silêncio. Este é um tempo que demanda silenciar, para escutarmos os outros. Em um tempo onde as pessoas estão tão fragilizadas e necessitadas de atenção é importante que façamos o silencio obsequioso de São José e aprendermos a escutar. Outra coisa que devemos refletir é sobre o modo como Deus se comunicou com São José, sempre através de sonhos. Ele entendeu o falar de Deus através de sonhos que ele teve, então é importante cultivar a sensibilidade que observamos em São José para entendermos o falar de Deus, não somente no sonhos, mas nas entrelinhas da nossa vida. Deus não age nas causas primeiras, mas na segunda, então é importante que a gente silencie e tenhamos um coração sensível como o de São José para percebermos o falar de Deus nos acontecimentos da vida.” (Pe Sérgio)

 

“Com os devotos de São José bem mais próximo da Matriz de Palmas, aprendi muito mais. Posso dizer que o que marcou o meu tempo na Paróquia, que foi um período de 8 anos, foi o afetivo, ficamos tão próximos, tão unidos, pudemos viver fortemente a paroquialidade e dessa maneira nos irmanamos e pude sentir bem mais fácil o fardo pastor de indicar e levar as suas ovelhas pelo caminho certo, que é o segmento de Cristo. Então, foi um presente pra mim ser pároco da São José, e obviamente para todos que passarem por ali, sentirão o que eu senti, esta acolhida e este coração aberto deste povo tão disposto, tão entregue para o serviço a Deus. Seguir São José é também se orientar pelos passos virginal de Maria, é aprender a obediência Mariana, o silêncio, a devoção, e de maneira especial a santidade Mariana. Quando olho pra São José, eu vejo Maria, e de maneira especial, quando olho Maria, não posso deixar de ver José. Um homem carregado de sentimentos nobres, um homem justo, e também voltado para um silêncio edificante, e ativo. Homem da ação, e do amor de mangas arregaçadas. Esse homem de fato voltado e configurado ao nosso Pai Celestial, em serviço profundo ao seu filho, Jesus Cristo. Portanto, precisamos aprender muito com São José. Palmas precisa amar mais seu padroeiro, e os devotos de São José têm essa incumbência de fazê-lo cada dia mais amado. Agradeço a Deus pela experiência que tive nesta Paróquia, como pároco, agradeço aos paroquianos pela acolhida, o amor profundo que pudemos experimentar, agradeço todos que se doaram, entregaram e fizeram desta Paróquia o que ela é hoje, referência, ponto não só de encontro, mas este ponto de serviço e entrega com consciência referencial ao nosso Deus”. (Pe José Renilton)

 

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