Arquidiocese de Palmas

Artigos › 19/02/2019

Homilia de Dom Washinton Cruz

“É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida” (Lc 21, 19)

Estas palavras, que agora ressoam em nossa Assembleia, realçam bem a mensagem deste 33º Domingo do tempo comum. Enquanto nos aproximamos da conclusão do ano litúrgico, a Palavra de Deus nos convida a reconhecer que as realidades últimas são governadas e orientadas pela Providência divina.

Na primeira leitura, o profeta Malaquias, alguns séculos antes do nascimento de Cristo, (cf. Mal 3, 19)descreve o dia do Senhor como uma intervenção decisiva de Deus, destinada a vencer o mal e a restabelecer a justiça, punir os malvados e premiar os justos.

O fogo, o queimar da palha, são figuras usadas pelo profeta, palavras simbólicas para nos explicar a caducidade das coisas.

De modo ainda mais claro as palavras de Jesus, segundo São Lucas, tiram dos nossos corações qualquer forma de receio e de angústia, abrindo-nos à certeza confortadora de que a vida e a história dos homens, apesar dos acontecimentos muitas vezes dramáticos, permanecem firmemente nas mãos de Deus. Aos que tiverem posto nele a própria confiança, o Senhor promete a salvação: “Mas vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça” (Lc 21, 18).

Na segunda leitura São Paulo repreende os cristãos de Tessalónica, porque achavam que já não valia a pena trabalhar. Era tempo de descanso, de aguardar tranquilamente, sem nada fazer, a vinda do Senhor.

Ao dizer “quem não quer trabalhar também não deve comer”, São Paulo parece insinuar que também aquele que não trabalha para a sua salvação eterna não merece gozar dos seus frutos.

Tal como a luz do sol, quando aparece, revela a verdade das coisas materiais, mostrando a beleza das coisas e denunciando os perigos, assim também Jesus Cristo – Luz sem ocaso – com a Sua vinda ao mundo, anunciando a Palavra do Pai que é ele mesmo, ensina-nos a distinguir o bem do mal, o vício da virtude.

Quando não vivemos segundo a doutrina do Evangelho, acabamos por justificar tudo: aberrações sexuais, aborto, eutanásia, etc. Inventamos falsos direitos que justifiquem os vícios.

Não estamos na situação do aluno que espera o exame na porta da sala de aula, já sem livros nem apontamentos, para recordar aquilo sobre o que vai ser examinado.

O Senhor quer encontrar-nos em pleno trabalho quando nos vier buscar inesperadamente. Na vida espiritual, nunca podemos viver dos rendimentos, como se pudéssemos dizer: “já rezei muito e pratiquei muitas obras boas! Agora é tempo de parar com as orações e de me desinteressar da salvação dos outros”.

Também não podemos sonhar com ir para o Céu “de carona”, à custa dos outros, só porque pertencemos a uma paróquia ou grupo muito bom; ou porque temos pessoas importantes na Igreja com as quais estamos bem relacionados; ou ainda porque estamos inscritos em um número razoável número de irmandades.

A salvação – a santidade pessoal – tem de ser fruto do trabalho de cada um, de mãos dadas com o Senhor.

Jesus aproveita um momento em que os Apóstolos louvam, entusiasmados, a beleza do templo e as outras construções da Cidade Santa.

O que Jesus lhes diz não pode ser entendido apenas como um castigo para o povo infiel, mas como o destino para tudo o que fazemos neste mundo.

Não ficará pedra sobre pedra de tudo o que não levar a marca do Amor.

Passarão muitas obras consideradas importantes aos olhos dos entendidos deste mundo, enquanto outras, que tinham passado despercebidas, brilharão com todo o seu esplendor.

O cristão não pode ser um estranho a tudo que passa por este mundo.

Mas também não pode nunca esquecer a meta para onde caminha, a finalidade de suas obras, a suareferência permanente, o fim para o qual veio a este mundo.

As contradições, maus exemplos e perseguições que Jesus anuncia para os Apóstolos são para nós também, e para os cristãos de todos os tempos. Haverá sempre uma força impetuosa de maus exemplos, má doutrina, querendo desviar-nos do caminho. Se procurarmos ser fiéis, o Senhor estará conosco e nada nos desviará do caminho.

É para nos recordar continuamente a doutrina de sempre e nos alimentar com o seu Corpo e sangue que o Senhor nos convida para a Missa Dominical.

Por isso, ela é tão importante na vida do cristão. Faltar a este encontro não é só cometer a indelicadeza e se recusar à aceitação dum convite; é condenar-se ingloriamente a uma greve de fome; é deixar de lado, por negligência, as armas indispensáveis para a batalha da semana que vamos travar.

Somos enviados do Senhor como testemunhas ao encontro dos nossos irmãos. A despedida do sacerdote – Ide em paz e o Senhor vos acompanhe – não é apenas um “podeis ir embora”, mas um mandato para que continuemos a Missa fora da Igreja, com o nosso testemunho cristão.

Que Nossa Senhora nos ensine e ajude a viver a vigilância cristã.

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