Arquidiocese de Palmas

Artigos › 19/02/2019

Homilia dos 15 anos da Arquidiocese de Palmas

“Canta de alegria, cidade de Sião; rejubila-te, podo de Israel. Alegra-te e exulta, de todo o coração, cidade de Jerusalém” (Sf 3,14).

Amados, amadas de Deus, tenho sede!

Hoje é, literalmente, “o dia do magnificat” para Maria e para a Igreja de Deus que está em Palmas. Como Maria, Palmas hoje deve cantar o seu magnificat, agradecendo a Deus pelas maravilhas que Ele operou ao longo destes 15 anos da sua existência.

A festa de uma Igreja é a festa do seu povo e da sua cidade, aliás, das suas onze cidades. Pela boca do profeta Sofonias o Senhor convida o povo e a cidade, a cidade e o povo a entoar um canto de louvor.

E esta exultação quem a realizou plenamente foi Maria, a imagem da Igreja. A partir de agora, falando de Maria, estarei falando da minha Igreja. Diz o texto que acabamos de escutar que Maria pôs-se apressadamente a caminho. Com Maria, a primeira cristã, a primeira evangelizada, a primeira evangelizadora e a primeira missionária, aprendemos que existem algumas urgências na vida de nossa Igreja que não dá para adiá-las, sob pena de negligência. É preciso apressar o passo, acompanhar a carruagem, seguir em frente, descer vales, subir montanhas, sem olhar para trás, com os olhos fixo no Senhor.

Antes de tudo, com esta sua atitude, Maria nos ensina como acolher o Senhor. Primeiramente na alma, no interior, dentro de nós. Maria engrandece ao Senhor dentro da sua alma, da sua vida, na sua interioridade e intimidade, ao gerá-Lo dentro da sua alma: “a minh´alma engrandece o Senhor!” Com isto, sua alma torna-se grande, engrandecida e agradecida. Acolher, nestes moldes, significa colocar o Senhor em um lugar de destaque dentro da nossa vida. Esta é a nossa mais bela vocação: humanos, pequenos, pobres, frágeis, mesquinhos, egoístas, pecadores que somos, capazes de gerar Deus dentro de nós.

Existem muitas maneiras de se acolher uma pessoa em nossa casa e em nossa vida. Acolher um comerciante que vem à nossa casa oferecer seus produtos não é a mesma coisa que acolher o Senhor na nossa vida. Ao comerciante pode-se perguntar: “o que quer de mim, o que traz de bom para me vender, quanto custa, qual a forma de pagamento?” A Deus não devemos fazer estas perguntas. Infelizmente, às vezes, é esta a nossa maneira de acolher a Deus que bate à nossa porta. Repito: Deus, ao bater à nossa porta, não se assemelha à batida de um comerciante de produtos religiosos, nem eu O posso receber na minha casa como se recebe a um comerciante. Acolher Deus significa dar-lhe o primeiro lugar, a primazia sobre tudo, um posto de honra, com toda alegria, com canto de exultação, com danças, como o rei Davi, e não como alguém de quem quero ser servido. Assim Maria acolheu Jesus: não para ser servida, adorada, glorificada, mas colocar-se ao seu serviço, antes, para cantar para Ele, para louvá-Lo, glorificá-Lo e bendizê-Lo. Maria acolhe Deus cantando o seu louvor. E é esta sua exultação que diz que a sua acolhida foi generosa, completa e total.

Em segundo lugar, Maria e com ela, Isabel, nos ensina como acolher os outros. Maria sai de casa, grávida, empreende um longo caminho, por entre as montanhas da Judéia, para acolher Isabel. E Isabel, por seu lado, sai de si e acolhe Maria. Acolher o outro é acolher o próprio Deus que vive e opera nele. Isto é a dilatação da alma, o engrandecimento e o agradecimento da alma. Segundo a narrativa de Lucas, Maria foi à casa de Isabel levando consigo, no seu ventre, Jesus que acabara de receber na anunciação. Neste encontro acolhedor e de duas acolhedoras, Isabel ficou cheia do Espírito Santo, o menino estremeceu de alegria no seu ventre e Maria cantou o seu magnificat. É isto que falta à nossa Igreja nos dias atuais. Porque não nos acolhemos e nem acolhemos o Senhor na medida justa, não ficamos cheio do Espírito Santo, o menino que há em nós não estremece e nem cantamos o nosso magnificat. Como celebrar uma festa de 15 anos de uma Igreja sem que isto aconteça em nossas vidas? Oxalá, este local e a terra por onde passarmos hoje possam estremecer desta alegria…!

Aprendemos, desde muito tempo, que a nossa arquidiocese é uma Igreja que acolhe, ama e forma. Muito bem! O venerável papa Paulo VI dizia que, com relação à Igreja, existem três atitudes: primeiro, a atitude dos que a amam; segundo, a atitude dos que a ignoram; terceiro, a atitude dos que a odeiam. Cremos estar na lista daqueles que a amam. Ouvimos Jesus dizer que a fé, mesmo do tamanho de um grão de mostarda, é capaz de mover montanha (Mt 17,20; Mc 11,23), ou amoreira (Lc 17,6). Paulo, no entanto, diz que a fé capaz de remover montanha ou amoreira, é a fé, como amor. A fé, sem amor, nada seria e, portanto, nada faria. Isto foi o melhor que ocorreu aqui. A experiência de Palmas, no atual estado em que se encontra, é fruto da fé, com amor e formação que moveram montanhas e removeram amoreiras. Aqui a fé com estes ingredientes, realmente moveu montanhas, removeu amoreiras, ou melhor, pequizeiros; milagres aconteceram para sermos o que somos hoje. Mas “quem é, portanto, Apolo? Quem é Paulo? Servidores, pelos quais fostes levados à fé; cada um deles agiu segundo os dons que o Senhor lhe concedeu. Eu plantei; Apolo regou, mas é Deus quem fez crescer…” (1Cor 3,5-6).

Finalmente, o beato João Paulo II, entre tantas coisas boas e bonitas que nos ensinou, ao longo do seu pontificado, indicou-nos a maneira correta de se fazer festa na Igreja. Segundo ele, o passado, devemos lembrá-lo com gratidão; o presente devemos vivê-lo com paixão; e o futuro, devemos abrir-nos a ele com confiança e esperança porque, afinal, “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e sempre” (Heb 13, 8). Três olhares sincronizados e transversais. Com isto, não deveríamos sair daqui sem a atitude e o olhar retrospectivo da gratidão. Não se vive bem sem agradecer a Deus pelos dons que Ele nos oferece. E não se vive bem sem agradecer as pessoas pelo bem que elas fizeram. Obrigado, Senhor, pelos primeiros padres, pelo primeiro bispo, pelos primeiros religiosos e religiosas, pelos primeiros missionários e féis leigos e leigas. Obrigado, Senhor, pelas primeiras ajudas, pelas primeiras construções, pelas primeiras habitações, pelas primeiras Igrejas, pelas primeiras paróquias, pelos primeiros sonhos, pelos primeiros projetos, pelas primeiras missões, pela primeira evangelização. Na pessoa de Dom Alberto, agradeço a todos, a todas e a tudo.

No entanto, não deveríamos sair daqui também sem a atitude de paixão e sem o olhar introspectivo da compaixão pelo presente. A primeira atitude para se viver bem no presente é apaixonar-se por ele. O passado foi bom, deixou marcas e saudades; os que por aqui passaram foram bons, mas o presente é ainda melhor. É melhor viver o presente como um dom de Deus do que ficar fixado ao passado. Tudo como que foi feito no passado deve-se fazer hoje. Todo o ardor missionário do passado deve ser apelo para o agir missionário hoje, com mais amor e com mais ardor. O hoje é melhor do que o ontem e o amanhã será melhor do que o hoje. Olhando os dados bancários e os relatórios econômicos, percebemos que a nossa Igreja não possui nem ouro e prata Mas possui uma riqueza ainda maior: o seu povo. Vocês são, amados amadas de Deus, – padres, diáconos, religiosas, Comunidades de Vida, leigos e leigas, a verdadeira riqueza, o verdadeiro tesouro da Igreja. A Igreja vive desta riqueza e deste tesouro. Vocês são um presente de Deus para esta Igreja. Vocês são o melhor e o maior presente deste aniversário.

Não poderíamos sair daqui, enfim, sem uma atitude e um olhar prospectivo para o futuro. Diz Cecília Meireles: “nem tudo é fácil na vida, com certeza, nada é impossível”. É há um outro provérbio que diz: ”o difícil se faz logo, o impossível, a longo prazo”. Desafios nós os temos, mas temos também a capacidade de estancá-los. A última palavra que Deus pronuncia, a palavra final do vocabulário cristão é a palavra esperança. O Continente em que vivemos, é chamado de “Continente da esperança e do amor”. O beato João Paulo II, na época papa, denominou “Palmas de grande sinal de esperança”. Esperamos, então, ser uma Igreja mais unida, mais santa, mais católica, mais missionária. Entre tantas urgências e desafios pastorais, elegemos três para assumirmos como arquidiocese: primeiro, construir a nossa catedral; segundo, sediar o 3º Congresso Missionário Brasileiro, no próximo ano; terceiro, colocar a nossa Igreja em estado permanente de missão.

E, para, finalizar, damos razão a Isabel quando diz: “Bendito és tu, Maria, entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre, Jesus”. Bendito és tu, Palmas, entre todas as outras Igrejas e bendito é o fruto do teu ventre, Jesus. Por isto o tema da nossa festa é: Palmas para Jesus! Amém!

 

Deixe o seu comentário





* campos obrigatórios.

X