Arquidiocese de Palmas

Artigos › 19/02/2019

Igreja: Casa da Misericórdia

A Festa da Divina Misericórdia ocorre no primeiro domingo depois da Páscoa, estabelecida oficialmente como festa universal pelo Papa João Paulo II. “Por todo o mundo, o segundo Domingo da Páscoa irá receber o nome de Domingo da Divina Misericórdia, um convite perene para os cristãos do mundo enfrentarem, com confiança na divina benevolência, as dificuldades e desafios que a humanidade irá experimentar nos anos que virão” (Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Decreto de 23 de Maio de 2000).

A Igreja é a casa de Deus onde entram várias pessoas, de diferentes níveis de vida, idade e de condições financeiras. Neste tempo da Misericórdia nos encontraremos com diversas situações, especialmente com os mais pecadores e desesperados, os que realmente não têm mais com quem contar, a não ser com a Divina Misericórdia.

Mas vejo que a vontade de Deus é que a Igreja Católica toda seja o Grande Santuário da Divina Misericórdia, e nós, os membros escolhidos para ser os braços estendidos de Jesus Misericórdioso, afim de acolher a todos, sem exceção, pessoas com seus pecados, problemas e misérias. ?Seremos o coração, a face, o olhar, o sorriso de Jesus para recebê-las com amor, infundir-lhes confiança, e mergulhá-las no oceano infinito da sua Misericórdia? (Sta. Faustina). Para que isso aconteça, o próprio Senhor quer infundir em nós batizados, a sua Divina Misericórdia. Ele quer que a experimentemos não na teoria, mas de maneira concreta, para em seguida levarmos essa Misericórdia a muitas pessoas que se encontram às margens da sociedade.

Sem dúvida este é um novo tempo! A Igreja Católica é a Casa do Sacrifício: “Meus olhos estarão abertos e os ouvidos atentos à oração feita neste lugar. Pois agora escolhi e santifiquei esta casa dedicada a meu nome para sempre. Meus olhos e meu coração estarão nela todo o tempo” (2Cr 7, 15-16). Este é o centro da mensagem da Palavra de Deus. Mas logo no versículo 11 Salomão termina a construção do templo e está para inaugurá-lo, consagrando-o ao Senhor. Naquela noite o Senhor lhe aparece e lhe diz: “Ouvi a tua oração e escolhi este lugar como Casa do Sacrifício”. Naquele tempo eram vários sacrifícios que eles ofertavam a Deus. Hoje é o único sacrifício de Cristo, realizado na cruz e renovado em cada celebração Eucarística, o que de fato, confirma a nossa espiritualidade Católica na qual a eucaristia é o centro, a fonte e o ápice da nossa vida cristã.

A redenção que a Igreja leva às inúmeras pessoas todos os dias pela administração dos Sacramentos, é a mesma redenção que se realizou na cruz e que se renova em cada Eucaristia. Somos portadores desta redenção, e invocando a Divina Misericórdia sobre nós e sobre o mundo inteiro, levamos conosco toda a nossa família e todo o povo de Deus. Muitas vezes sofreremos por causa daqueles que vêm ao nosso encontro, e o convite de Jesus é amar o próximo acolhendo de coração e com alegria os sofrimentos deles e, principalmente, aqueles sofrimentos que nos atingem, “Alegro-me nos sofrimentos que tenho suportado por vós e completo, na minha carne, o que falta às tribulações de Cristo em favor do seu Corpo que é a Igreja” (Col 1, 24).

O Papa Pio XII dizia na sua encíclica sobre o Corpo Místico de Cristo, que a salvação de muitos depende dos sofrimentos, orações e dos sacrifícios, voluntariamente aceitos, pelos outros membros do corpo de Cristo. O próprio Papa Pio XII nos mostra que isso é um mistério: não conseguimos compreender como e por que é assim. Mas a realidade é essa: a salvação de muitos depende das nossas orações e dos nossos sofrimentos voluntariamente acolhidos.

Cristo estabelece a sua presença na Igreja Católica, lugar privilegiado da ação e da manifestação do Pai das Misericórdias. Nós apenas precisamos reconhecer e manifestar nossa gratidão por tamanha graça que nos alcança mesmo que não mereçamos. A Igreja é por excelência, a Casa da Misericórdia, e o Senhor quer que aqueles que experimentaram a sua misericórdia, também usem de misericórdia para com os outros. Depois de contar a parábola do bom samaritano, para responder ao doutor da lei o que é amar o próximo como a si mesmo, Jesus lhe diz: “Vai e faze tu o mesmo”.

Entramos no tempo da Divina Misericórdia, tempo de Graça e muita oração pelos nossos entes queridos, pelo mundo inteiro, pelas diversas situações de injustiça e miséria que assolam os filhos de Deus. Rezemos juntos, e com muita fé imploremos:

?Pela sua dolorosa paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro?.

Flávio B. Brandão – Seminarista da Arquidiocese de Palmas

Deixe o seu comentário





* campos obrigatórios.

X