Arquidiocese de Palmas

Igreja reza pelos padres no dia do Coração de Jesus

Participar da missão de Cristo não é tarefa fácil. Cada batizado é chamado a concretizar em sua própria existência aquilo que o Senhor trouxe para a humanidade: libertação e esperança. Nesse sentido, é preciso esforço e determinação para perseguir a santidade e não desistir no meio do caminho. Se já é difícil dar conta da própria vida de fé, imagine então quando a vocação implica ser “ministro da santificação” dos irmãos? E é esse o fim primordial da vida sacerdotal.

Exatamente por isso a Igreja Católica une-se para celebrar a Jornada Mundial de Oração pela Santificação dos Sacerdotes. No próximo dia 15 de junho, Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, todos os cristãos são convidados a ter essa intenção como pedido especial em sua oração.

“É pelo fato de o presbítero estar no mundo que ele enfrenta os desafios para levar a cabo tão importante dom”, pondera o presidente da Associação Nacional de Presbíteros do Brasil (ANBP), padre José Maria da Silva Ribeiro, acerca da missão do padre. E os desafios não são poucos, conforme cita o sacerdote: a mudança de época – tempo de transformações profundas que afetam a realidade como um todo, chegando aos critérios de compreensão e julgamento da vida –, o medíocre pragmatismo – tudo procede com normalidade, mas, na verdade, a fé vai se desgastando e degenerando em mesquinhez –, o individualismo – aliado ao hedonismo e fortíssimo consumismo, depara-se com o surgimento de propostas religiosas que dizem oferecer o encontro com Deus sem o efetivo compromisso cristão e a formação de comunidade – e o ativismo – sufoca o tempo da oração, da ruminação e da contemplação, condiciona e atrapalha o tempo da ação.

O presidente da Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB e Arcebispo de Palmas (TO), Dom Pedro Brito Guimarães, destaca que a santidade é relacional. “Ninguém é santo por si só e para si mesmo. A santidade é dom, graça e dádiva de Deus, decorrente do evangélico relacionamento, nesse caso do sacerdote com Deus e com os irmãos. O sacerdote santo é aquele que é santo no serviço, no ministério e na missão.”

Ser santo hoje

O presidente da ANPB recorda que o canal da graça de Deus são os sacramentos. As mãos presbiterais são chamadas não apenas a presidi-los, mas a recebê-los com frequência. “Em especial a Eucaristia, em sua celebração possivelmente diária, e a Reconciliação, com certa frequência”, indica.

Embora os tempos mudem e hoje muita coisa pareça ser muito desafiadora, a santidade nunca foi um objetivo que se alcançasse sem um bocado de suor. “Ser santo foi, é e sempre será um desafio a ser vencido. E não pode ser visto como um jogo fácil de ser jogado, senão teríamos que diminuir o valor da santidade de quem viveu em outra época. Cada época tem os seus desafios próprios e, em um mundo globalizado, secular e multifacetado como o nosso, a santidade se reveste de novas indumentárias”, acredita Dom Pedro.

Aqui, estender o olhar para o futuro da Igreja no Brasil e aos seminaristas é um caminho natural. A formação sacerdotal é sempre desafiadora e deve ter como fonte o Coração do Mestre. “O ser e o agir do presbítero deve originar-se do Coração ardente do Filho muito amado do Pai. Por isso mesmo deve ser constante a nossa preparação, formação, empenho, vigilância. Teremos presbíteros para a Igreja no Brasil, e também para o mundo, que possuam em seu coração o firme propósito de se assemelhar ao Coração de Jesus e serem guias seguros para o povo, na medida em que os formandos mantiverem o foco no estilo de ser do Mestre do Amor”, avalia padre José Maria.

As novas Diretrizes para a Formação Presbiteral da Igreja no Brasil possuem boas intuições nesse sentido. Há também formadores mais bem preparados e formando melhor os selecionados. “A formação missionária dos futuros presbíteros é o que mais me deixa alegre e confiante. Vejo boas perspectivas para a formação sacerdotal”, salienta Dom Pedro.

Leigos

O Concílio Vaticano II e os principais documentos emanados dos encontros dos episcopados latino-americanos e brasileiro deixam claro que o modelo em que o clero planeja e o leigo executa não serve mais. Agora, o que deve imperar é a cooperação e a correlação. E, nesse dia especial de oração pelos sacerdotes, vale recordar que a consciência laical precisa amadurecer no sentido de perceber o sacerdote não apenas como um dispensador de sacramentos, mas como um amigo, um irmão, que também precisa de apoio.

“Esse papel dos leigos enquanto presença amiga, solidária e fraterna torna-se fundamental para o crescimento humano e espiritual do presbítero. O Povo de Deus, povo com o qual lidamos, é um sacramento de Deus! Oração e presença fraterna devem ser cultivadas pelos leigos na relação com os presbíteros. É a partir disso que pastores e ovelhas santificam-se mutuamente”, acredita o presidente da ANPB.

Os leigos Francisco Floriano Neto e Luis Fernando Ferla participam da Paróquia Cristo Rei, em Lorena, no interior de São Paulo. Eles testemunham a importância dessa nova relação de reciprocidade. “Acredito muito na relação de convivência, no fortalecimento de laços e no crescimento conjunto dia a dia. Essa proximidade é benéfica para todos, é a verdadeira vida em comunidade”, afirma Francisco. E Luis complementa: “Hoje, o cristão está mais motivado a participar das atividades das paróquias e isso me alegra. É papel de todos disseminar a palavra de Cristo”.

O presidente da Comissão Episcopal da CNBB finaliza: “No próximo dia 15 de junho, acontecerá algo novo e interessante neste relacionamento entre sacerdotes e leigos: os sacerdotes rezam todos os dias por todos nós. Neste dia, todos nós iremos rezar por eles, a fim de que eles encantem-se pela santidade de vida, convertam-se e santifiquem-se”, assinala.

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