Arquidiocese de Palmas

Artigos › 19/02/2019

Menção a Dom Pedro na Câmara dos Deputados

Desejaria hoje destacar nos Anais da nossa Câmara dos Deputados a nomeação do bispo da minha diocese de São Raimundo Nonato, no Piauí, Dom Pedro Brito Guimarães, para as excelsas funções de arcebispo de Tocantins, posto que foi nomeado, agora em outubro, pela Sua Santidade o Papa Bento XVI, para ser o segundo arcebispo da cidade de Palmas, Capital do Estado de Tocantins.

Dom Pedro Brito sucedeu, na minha Diocese, Dom Cândido, que havia sucedido Dom Nazário e Dom Inocêncio, todos os bispos espanhóis da minha cidade. Ele é um bispo secular. Nasceu no Piauí, em um povoadozinho, verdadeira Vila dos Confins, em Buriti, no Município de Eliseu Martins, em 1954, de uma família humilde de 12 irmãos. Ali mesmo, com as dificuldades do povoado de Buriti, iniciou seus primeiros anos de estudo. Mais tarde, na casa de parentes, foi estudar na cidade de Eliseu Martins, onde cursou o segundo ano do antigo primário e metade do terceiro ano. Depois seguiu para uma cidade vizinha, Colônia do Gurguéia, ex-povoado de Eliseu Martins, onde, em 1972, concluiu o terceiro ano do segundo grau. Depois foi autorizado a fazer o exame de admissão para o antigo Ginásio do Vale do Gurguéia.

Em escolas precárias, pobres, públicas, somente com o esforço de homem excepcional, crente em Deus e por Ele abençoado, pôde prosseguir triunfalmente seus estudos, a sua bela carreira.

Partiu para Floriano aos 19 anos, em 1973, onde concluiu o antigo curso ginasial na escola pública Monsenhor Lindolfo Uchoa.

Por motivos financeiros, já havia perdido seu pai, Dom Pedro teve que interromper seus estudos, pelo período de 2 anos. Ele trabalhou como professor e comerciário. Trabalhou em balcão de loja. Depois fez o teste para o Colégio Agrícola de Teresina, para ser professor. Quando foi chamado, em 1976, após um período de engajamento pastoral em um grupo de jovens e como Dirigente de Celebração da Palavra de Deus, sem a presença do padre, um movimento laico, ingressou no Seminário Menor de Oeiras, até concluir, em 1978, o chamado curso científico — ensino médio, portanto — na Escola Normal Presidente Castelo Branco.

Dali foi enviado ao Seminário Maior, em Fortaleza, onde estudou Filosofia e iniciou a Teologia, transferindo-se, em seguida, para o Pontifício Colégio Pio Brasileiro, em Roma, concluindo, após 3 anos, na tradicional Pontifícia Universidade Gregoriana, seus estudos preparatórios ao sacerdócio.

Retornando ao Brasil, Dom Pedro engajou-se na caminhada pastoral da Diocese de Oeiras-Floriano, como Coordenador de Pastoral, de Catequese e do Ensino Religioso e como Reitor do Seminário Menor João XXIII.

Em Floriano, em 18 de agosto de 1985, recebeu os ministérios de leitor e de acólito. Foi ordenado diácono no dia 1º de dezembro desse ano na Co-Catedral de São Pedro de Alcântara, em Floriano. Em 26 de janeiro de 1986, na cidade de Eliseu Martins, sua terra natal, foi ordenado sacerdote.

Em 1987, seguiu para Teresina, para exercer as funções de Vice-Reitor e professor no Seminário Maior Sagrado Coração de Jesus, permanecendo até 1988, quando ele retornou a Roma para fazer o mestrado em Teologia Dogmática, na Pontifícia Universidade Gregoriana.

Em 1990, retoma suas funções anteriores no Seminário Maior de Teresina, até 1992, quando novamente retorna a Roma para o doutorado em Teologia Dogmática na mesma universidade.

Concluiu, em 1995, com brilhantismo, seu doutorado com a tese: Os Sacramentos como Atos Eclesiais e Proféticos: um Contributo ao Conceito Dogmático de Sacramento, à Luz da Exegese Contemporânea, atualmente publicada sob o número 46 da coleção italiana Tesi Gregoriana.

Tendo voltado ao Brasil, assumiu vários encargos. Podemos destacar, entre outros: membro do Grupo do Setor de Vocações e Ministérios da CNBB.

Mas o mais importante: é compositor de várias canções religiosas, tendo algumas gravadas em diversos CDs, principalmente o Espírito da Missão.

Foi por 8 anos capelão do Carmelo, em Teresina. E para aperfeiçoar ainda mais os seus conhecimentos litúrgicos-musicais, faz o Curso de Formação e Atualização Litúrgico-Musical, em São Paulo. Aliás, quando da recente presença da Orquestra Sinfônica de Teresina na Catedral de São Raimundo Nonato, onde estive presente — e já registrei na tribuna desta Casa —, depois que a orquestra executou partitura de Beethoven e outros grandes gigantes da música clássica, a soprano, que cantou dois hinos religiosos, passa o microfone para Dom Pedro e ele cantou a música com total magnificência, que imaginei estar ali uma vocação musical. Eu não sabia — depois, conversando com Sua Excelência Reverendíssima, vim a saber — dessa sua vocação musical.

Foi depois reitor e professor de Teologia Dogmática do Seminário Maior Sagrado Coração de Jesus, em Teresina, de 1995 até 2002, quando o Santo Padre Papa João Paulo II o elegeu bispo da Diocese de São Raimundo Nonato, no meu Estado. Tive a grande alegria, a grande satisfação de estar presente, naquele noite, em São Raimundo Nonato, quando ele foi consagrado bispo, com a presença de todos os bispos do Piauí, do arcebispo de Teresina de então. E ali anunciou o seu lema episcopal: “Tenho sede!”, o que mostra exatamente a grandeza deste homem santo, deste homem bom por natureza vivendo numa região de aflições, de pobreza, de injustiças, de sofrimento, de agruras, com o problema da seca, com a falta de abastecimento d’água. O seu lema é exatamente condizente com a sua humanidade, com a sua angústia e com o sofrimento da região: “Tenho sede!”

Em 8 anos como Bispo de São Raimundo Nonato, Dom Pedro instalou a Cúria Diocesana e o Seminário Menor São José, no Centro Diocesano Dom Inocêncio; criou e realizou o Projeto Diocesano das Santas Missões Populares; organizou a Cáritas Diocesana e a Pastoral da Criança; criou a Fundação Cultural Sudeste do Piauí; instalou a Rádio Cultura FM 105,9, da qual tenho a honra de participar.

Realizou Santas Missões Populares em todas as 27 cidades que compõem a diocese; ordenou 12 padres; criou 11 paróquias; abriu 13 Casas de Comunidades Religiosas, duas masculinas e 11 femininas; construiu o Centro Missionário São Paulo Apóstolo; criou a Escola Diaconal São Lourenço; mediou a construção de mais de 5 mil cisternas para as famílias pobres; colaborou e organizou a gravação de vários CDs, entres eles “O Espírito da Missão”, já citado, “Avancem para águas mais profundas”, “Queremos ver Jesus”, “A alegria de ser missionário” e “Um grito pela vida”. Elaborou e coordenou vários projetos de evangelização, os últimos e em vigor “A vida é missão”, “Bíblia nas mãos, no coração e pés na missão”, “Visita Pastoral Missionária”; realizou vários cursos de formação de leigos e missionários; criou o Ministério de Missionário Diocesano para leigos, em curso. Por fim, deixa quase formatado o projeto de construção de uma casa para recuperação de dependentes químicos, chamada Comunidade Terapêutica Nova Vida. Atualmente, é membro da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Missionária e a Cooperação Intereclesial e da Comissão da Missão Continental. Mais que tudo, Dom Pedro é um angustiado com o sofrimento do seu sertão piauiense, daí a sua ação social, sua preocupação com crianças pobres, que passam fome, que não têm escola. Só vivenciando de perto a sua ação pastoral sem apoio, sem ajuda, para se ter ideia da grandeza desse homem. Não posso deixar de me rejubilar com a sabedoria do Santo Papa, ao escolher Dom Pedro para ser Arcebispo de Palmas, Capital do Tocantins, premiando e abençoando o trabalho de homem bom, de homem humilde e dedicado aos mais humildes, às pessoas sofridas, homem de vida modesta. O seu sonho era prestar uma grande homenagem a Dom Inocêncio, o santo, o primeiro bispo da nossa diocese. Tive a oportunidade de acompanhá-lo há cerca de um ano a uma visita ao Dr. Gilberto Carvalho, Chefe do Gabinete do Presidente da República, quando lhe fez um apelo para encaminhar, através da Lei Rouanet, apoio à criação do Museu Dom Inocêncio, em São Raimundo Nonato, nosso grande primeiro bispo.

Depois sonhava em ampliar a audiência da nossa Rádio Cultura de São Raimundo Nonato além das fronteiras com a Bahia, chegando até Pernambuco, para levar a mensagem cristã e a mensagem do sertão sofrido do Piauí. É seu sonho também, quem sabe, criar um sistema de televisão para propagar, com mais ênfase, a fé cristã, o espírito cristão, em todo o sertão nordestino, incluindo aí o Piauí e também o sertão baiano.

Dom Pedro, portanto, tem uma bela trajetória de vida, trajetória do esforço, da dedicação, da sua capacidade de concentração e dedicação a Deus e à religião. Daí ele sempre gostar de citar, como lema bíblico, por excelência da sua atuação pastoral, a lição bíblica: “Ponho-me a ouvir o que o Senhor dirá. Ele vai falar de paz. “

Sr. Presidente, esse grande sacerdote, destinado por vocação para servir a Deus, vai assumir agora, no dia 17 de dezembro, em Palmas, Tocantins, a função de Arcebispo daquele Estado.

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