Arquidiocese de Palmas

Artigos › 19/02/2019

Mensagem de Abertura da V Assembleia Arquidiocesana de Pastoral

Meus amados, minhas amados de Deus, 
delegados e delegadas, desta V Assembleia Arquidiocesana de Pastoral,

Tenho Sede!

“Dou graças ao meu Deus, cada vez que me lembro de vós nas minhas orações por cada um de vós. É com alegria que faço minha oração, por causa da vossa comunhão no anúncio do evangelho, desde o primeiro dia até agora. Eis a minha convicção: Aquele que começou em vós tão boa obra há de levá-la a bom termo, até o dia do Cristo Jesus. É justo que eu pense isto a respeito de todos vós, pois vos trago no coração e sei que, tanto na minha prisão como na defesa e confirmação do evangelho, vós todos comungais comigo na graça que me foi concedida. Deus é testemunha de que tenho saudades de todos vós, com a ternura do Cristo Jesus. E isto eu peço a Deus: que o vosso amor cresça ainda, e cada vez mais, em conhecimento e em toda percepção, para discernirdes o que é melhor. Assim, estareis puros e sem nenhuma culpa para o dia de Cristo, cheios do fruto da justiça que nos vem por Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus” (Fl 1,3-11).

Estou aqui no lugar onde me sinto mais à vontade e mais confortável e onde eu sempre deveria estar: na sede da pastoral. Eu me sinto feliz nesta cadeira e neste cenário porque é aqui e é assim que eu vivo a minha vocação e exerço a minha missão de ensinar, santificar e pastorear. E quero que vocês me vejam sempre como o pastor em busca da ovelha que se desgarrou, da moeda que se perdeu e do filho que saiu de casa.

O Concílio Vaticano II, do qual estamos comemorando 50 anos da sua abertura, definiu Diocese como “a porção do povo de Deus confiada a um bispo, para que a apascente, com a colaboração dos presbíteros, de tal modo que, unida a seu pastor e reunida por ele no Espírito Santo, por meio do evangelho e da eucaristia, construa uma Igreja particular, na qual está e age a Igreja de Cristo, una, santa, católica e apostólica” (CD 11). Desta definição conciliar de diocese, podemos extrair, mesmo se de forma sincronizada e interdependente, dois grupos de elementos constitutivos de uma diocese: primeiro, os elementos humanos: diocese é uma porção do povo de Deus, confiada a um bispo, na qual está e age a inteira Igreja de Cristo, una, santa, católica e apostólica, cuja missão é apascentar esta porção do povo de Deus, com a colaboração dos presbíteros: diocese-igreja, povo de Deus, bispo e presbíteros unidos, agindo num só coração e numa só alma; segundo, os elementos divinos: diocese é uma Igreja reunida no Espírito Santo, por meio do evangelho e da eucaristia: diocese-igreja, reunida pelo Espírito Santo, pelo evangelho e na eucaristia, construída pelo sangue de Cristo, derramado na cruz. Assim podemos dizer, sem medo de errar que, feita de homens e mulheres, a Igreja é divina.

Das quatro notas constitutivas da Igreja – una, santa, católica e apostólica -, como bem expressou o Concílio, nesta definição, acima, a apostolicidade, embora venha por último, é a primeira e a nota mais característica da Igreja: a Igreja é una na missão, é santa na missão, é católica na missão e é apostólica, na missão.
Por diversas vezes e, por diversos meios, tenho afirmado que toda diocese possui um carisma especial, um dom particular, provenientes do Espírito Santo. Então, qual é este carisma especial e este dom particular da igreja de Deus que está em Palmas? É ser uma Igreja missionária. Palmas possui este carisma e este dom missionários desde a sua origem: nasceu de uma missão e vive sempre em estado permanente de missão. Se, portanto, a missão é nosso dom, nosso carisma e nossa graça, é preciso retomá-los com firme decisão: “esta firme decisão missionária deve impregnar todas as estruturas eclesiais e todos os planos pastorais da diocese, paróquias, comunidade religiosas, movimentos e qualquer outra instituição da Igreja. Nenhuma comunidade há de se escusar de entrar decididamente, com todas as suas forças, nos processos constantes de renovação missionária, e de abandonar as estruturas caducas que já não favorece mais a transmissão da fé” (DA 365).

Para isso é que estamos aqui, em Assembleia, para retomar a decisão de traçar o rosto pastoral, missionário da nossa arquidiocese. Ela já possui este rosto missionário, mas é preciso aperfeiçoá-lo novamente, dá-lhe novos retoques e novos contornos, redesenhá-lo e colori-lo novamente, pois, ele está empoeirado e amarelado, com o passar do tempo. É para isto que fomos convocados: para traçarmos juntos o rosto pastoral-missionário da nossa arquidiocese para os anos de 2013 a 2015. Com o tema: “Palmas, igreja que escuta segue e anuncia Jesus Cristo, em tempos complexos”, e como o lema: “crede em mim”, convoquei vocês, delegados e delegadas, para compartilhar comigo as inquietações da difícil arte de anunciar Jesus Cristo e de evangelizar, num tempo de profundas e constantes mudanças. Qual será o objetivo da sua missão? Qual será a meta para a sua missão nestes anos de 2013 a 2015? Quais serão as prioridades para a sua missão? E quais serão as linhas de ação e as atividades-meios?

Há um antigo ditado que diz que ?faz mais barulho uma árvore que cai do que uma floresta que cresce?. Neste tempo tão complexo que estamos vivendo, aqui na nossa querida arquidiocese de Palmas, está fazendo mais barulho uma árvore que cai do que uma floresta que cresce. A força mais destrutiva da igreja é a fofoca. Apostar mais nas rebeldias e nas panelinhas, perder tempo com fofocas e picuinhas é ameaçar a unidade da igreja, amesquinhar a sua grandeza e ameaçar fechá-la em si mesma e isolar as pessoas, os grupos e as comunidades. A quem interessa toda esta celeuma? Por causa disto, tenho insistido em três atitudes essenciais e necessárias: investir mais na unidade; acreditar mais na reconciliação; intensificar mais a oração.
Portanto, peço, encarecidamente, a todos vocês, delegados e delegadas, desta V Assembleia, que escutem, com os ouvidos e os corações, o quanto segue:

“Não tragam apenas a palavra afiada, feita faca para o combate; tragam também a voz e, no canto, a melodia do sonho e da esperança da unidade. Não tragam apenas olhos críticos para desnudar a injustiça e a opressão que os outros comentem; tragam também um olhar doce e terno, capaz de perdão, misericórdia e reconciliação. Não tragam apenas mãos firmes e fortes, a fim de remover barreiras e obstáculos; tragam também na ponta dos dedos sensíveis o bálsamo para as nossas feridas do corpo e da alma. Não tragam apenas pés rijos e calejados para as estradas íngremes e inóspitas; tragam também passos leves e pacientes, sintonizados com o ritmo dos mais debilitados. Não tragam apenas a boa nova do evangelho como um tesouro de preciosas pérolas; tragam também a arte, a graça e a magia de transmiti-la em tempos complexos. Não tragam apenas um espírito de fé, que tudo vence, supera e sublima; tragam também o coração aberto ao diálogo, à solidariedade, à paz e à oração. Não tragam apenas a água viva da mensagem, junto com a certeza de que Deus o envia; tragam também sedes, dúvidas e interrogações, pois, evangelizar é um movimento de mão dupla. Não tragam apenas o ouvido atento e a resposta pronta ao sofrimento e à alegria de tantos caminhos; tragam também o silêncio respeitoso diante da dor, já que uma história nua é como um sacrário aberto” (texto adaptado, de um autor desconhecido).

Palmas é uma igreja que escuta, segue e anuncia Jesus Cristo, em tempos complexos. O nosso querido papa Francisco, neste pouco tempo de pontificado, já nos brindou e nos presenteou com belas intuições, saídas do seu coração de pastor, com as quais quero fechar esta minha primeira fala nesta Assembleia: “caminhar, edificar, professar Jesus Cristo crucificado”.

1. “Eu gostaria que todos, após esses dias de graça, tenhamos a coragem, exatamente a coragem de caminhar na presença do Senhor, com a cruz do Senhor; de const
ruir a Igreja no sangue do Senhor, que foi derramado na cruz; e de confessar a única glória: Cristo Crucificado”.

2. “Quando caminhamos sem a cruz, quando edificamos sem a cruz e quando confessamos um Cristo sem cruz, não somos discípulos do Senhor: somos mundanos, somos bispos, padres, cardeais, papas, mas não discípulos do Senhor”.

3. “Quem não prega o Senhor, prega o diabo. Quando não se confessa Jesus Cristo, se confessa a mundanidade do diabo”.

4. “Nós podemos caminhar como queremos, podemos construir muitas coisas, mas se não confessamos Jesus Cristo, algo está errado. Tornamo-nos uma ONG piedosa, mas não a Igreja, Esposa do Senhor.
“Crede em mim!” (Jo 14,1) – diz Jesus.

Com minha benção, declaro abertos os trabalhos da V Assembleia Arquidiocesana de Pastoral.

Dom Pedro Brito Guimarães,
Arcebispo metropolitano de Palmas
Palmas, 15 de março de 2013

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