Arquidiocese de Palmas

Artigos › 19/02/2019

Mensagem de Despedida de Padre Marcos Tavoni

Meus irmãos, minhas irmãs, obrigado pela amizade e carinho de vocês.

Tenho no presente momento, um misto de sentimentos em meu coração. Se por uma parte estou triste, por outra estou, muito feliz! Triste pela nossa despedida, mas feliz pela sensação do dever cumprido!

Tenho feito de minha últimas missas, ação de graças ao Bom Deus, pelo término de mais esta missão, na minha caminhada.

Cada vez mais me convenço, que cada passo, cada etapa da vida, cada função dentro do ministério sacerdotal é parte de uma missão maior; e nessa missão da vida, em sã consciência, diante daquele que me chama e envia, sempre procurei e dar e fazer, o meu melhor, e sempre, também, com o firme propósito de amar, e de amar até o fim.

Como é de conhecimento da maioria, minha origem, vocação e missão estão radicadas no processo da Nova Evangelização, através do Carisma específico, missionário, dos Seminários Missionários Redemptoris Mater.

O principal motivo pelo qual estou deixando a missão, em Palmas, é, justamente, o de abraçar o meu carisma missionário. Depois de uma longa reflexão e oração. Sinto um profundo desejo de partir para uma nova missão, onde me queira enviar o Senhor, sinto no coração, de seguir por novos caminhos e desafios.

Foi neste mesmo espírito, de abraçar e de viver meu carisma e missão, que fui enviado para Palmas. Envio, na época, realizado pelo Senhor Arcebispo de Brasília, Cardeal Dom Falcão. Coloquei-me, assim, à inteira disposição do então Arcebispo Metropolitano de Palmas, nosso memorável, Dom Alberto, para o serviço pastoral da Arquidiocese.

Cheguei a Palmas em 15 de agosto de 1997, havia sido ordenado padre há apenas seis meses. Recebi como meu primeiro trabalho, a coordenação pastoral da, então, frágil Comunidade de Santa Filomena, na ARSE 21, e de algumas Comunidades do Interior da Arquidiocese, ainda mais débeis (hoje Paróquias de Santa Teresa D’Ávila, em Santa Teresa do Tocantins, e de São João Batista da lagoa do Tocantins), percorrendo estradas e caminhos, muito precários.

Tendo passado um tempo de adaptações, de engajamento e de um ótimo relacionamento com os irmãos do clero, recebi os cuidados, como Pároco, da Paróquia Divino Espírito Santo que abrangia todo quadrante do centro de Palmas. Juntamente com outros valorosos irmãos que chegavam e juntavam-se na missão, fomos consolidando as comunidades do centro da Cidade e efetivando a emancipação e criação de novas paróquias. As últimas a serem criadas, na área, foram as Paróquias da Catedral do Divino Espírito Santo e de Santo Antônio de Pádua, onde se encontrou, por um bom tempo, a residência e sede do Pároco de toda região central.

Por mais de dez anos permaneci no encargo das três paróquias; isto até o mês de novembro de 2010. Com a preciosa convivência e ajuda de vários vigários paroquiais (Pe. Guilhermo, Pe. Emanuel Eféca, Pe. Geraldo Scotto, Pe. Agnaldo; Pe. Emmanuel Areias; Pe. Daniel Gomes; Diác. Ailton; Diác. Wandelmir e Pe. Edson Fernandes); e no interior, da presença das religiosas Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia, mantivemos um excelente intercâmbio social e pastoral entre as três paróquias.

Nestas paróquias tive a alegria de ver realizarem-se alguns sonhos. Em Palmas, a reforma e ampliação da Igreja Matriz de Santo Antônio de Pádua; o acompanhamento da construção, moderação dos leigos e Reitoria do Centro de Evangelização “Casa de Maria Rainha da Paz”. (Uma pagina toda especial da missão foi a providência divina desta Casa.. Obra do espírito Santo). No interior: o término e acabamentos da Igreja Matriz de Santa Tereza D’Ávila, a construção do seu Centro Comunitário, a emancipação como Paróquia, e o incentivo na fundação da Associação do Capim Dourado; a construção do Centro Comunitário de Santo Domingos, com a fundação da Associação dos Quilombolas, da Comunidade de Barra do Aroeira, e o acompanhamento do processo de legalização de suas terras, no município de Santa Tereza do Tocantins; em Lagoa do Tocantins, os fundamentos da construção e instalação da estrutura metálica, para as paredes e teto, da Igreja Matriz de São João Batista, casa paroquial e a emancipação, como Paróquia.

Nesses quase 11 anos, procurei, diligentemente, cumprir meu ofício de Sacerdote e Pastor, administrando os sacramentos e participando das preocupações dessas Comunidades, principalmente, sendo solidário com o povo de Deus, em suas angustias e dores. Destaco, ainda, a referência em festa junina que se tornaram os Festejos de Santo Antônio de Pádua, em Palmas. E a alegria, pastoral, pela implantação de um neo-catecumenato, nas Cidades de Palmas, Santa Tereza do Tocantins; Araguaína e Porto Nacional.

Como Vigário Episcopal da Região São Pedro, deixo registrado, que com o apoio dos irmãos do Clero, trouxemos para o Centro da Cidade, passando pela quadra da Casa de Maria, a procissão de Corpus Christi, antes celebrada na Paróquia São José; e a experiência, na Casa de Maria, dentro do ano dedicado a Eucaristia (2005), da Adoração Perpétua do Santíssimo Sacramento, como é organizada, até hoje.

No campo da Pastoral, acompanhei, ainda, a fundação e colaborei como Diretor Espiritual da Casa Marta, no direcionamento da Coordenação e encaminhamento pastoral-sacramental e familiar das jovens mães, grávidas excluídas.

Tive a alegria de animar e organizar a Festa do Carismas, promovida entre as comunidades de vida; e de moderar, por dois anos, o Primeiro Sínodo Arquidiocesano de Pastoral (2005 e 2006) que, infelizmente, por razões desconhecidas, até hoje, não teve a sua conclusão.

Em 2006, na mesma data, ocasião da inauguração, pelo Senhor Núncio Apostólico, pela manhã do Seminário Interdiocesano e pela noite do Centro de Evangelização Casa de Maria, solicitei ao Senhor Arcebispo dispensa para retornar a Brasília e seguir na Missão em outra parte, mas cedendo aos seus apelos, pela saída e ausência pastoral do Monsenhor Jones Pedreira, da Arquidiocese, mais uma vez, acabei por renovar meu contrato, por mais dois anos.

No final de 2008, terminada minha provisão como Vigário Episcopal, sentindo forte impulso de voltar à “missão ad gentes”, fui convocado, por Brasília, a prosseguir na missão, mais uma vez, em outra parte; mas, novamente, persuadido por Dom Alberto, procurando compreender as necessidades da Arquidiocese de Palmas e incentivado por Dom João Braz Aviz, Arcebispo de Brasília e por Dom Adair José Guimarães, responsável pela Formação, da OSIB – Centro Oeste, acabei por abraçar a desafiadora missão, como formador do nosso Seminário Interdiocesano.

Esta minha última missão, em Palmas, me ajudou muito como pessoa, a superar meus próprios limites e aprender a apoiar-me, ainda mais, no Senhor.

Assumi a Reitoria do Seminário num momento muito difícil, muito crítico. Atravessamos um período de muitas turbulências e adaptações; no primeiro ano 2009, foi o tempo da transferência de Dom Alberto para Belém; depois, tempo da vacância e Administração Apostólica, com Dom Philip; depois, a chegada dos novos Bispos, Dom Giovane e Dom Rodolfo, e por fim, em 2011, a chegada do novo Arcebispo, Dom Pedro. Posso afirmar que nesse, breve, mas intenso período, recebi uma graça muito especial do Senhor, em que Ele, em tudo me assistiu.

Cada vez mais me convenço de que, cada passo, cada etapa da vida, cada função dentro do ministério sacerdotal é parte de uma missão maior; e nessa grande missão, em sã consciência, diante daquele que me chamou e enviou, sempre procurei, dar e fazer o meu melhor, com o firme propósito de amar a missão, e de amá-la até o fim.

Em espírito de comunhão e de total disponibilidade é que me propus, então, a colaborar, como Reitor; e no segundo ano de reitoria, devido à outras circunstâncias, também como Ecônomo.

Agradeço, imensamente, nessas breves linhas, àqueles que colaboraram comigo nesse tempo de Reitoria, pois ninguém pode arrogar para si só o trabalho de formador. O trabalho de formação é eminentemente, um trabalho de Equipe. Neste sentido agradeço aos meus fiéis irmãos de caminhada, padres jovens, corajosos, grandes desbravadores, que deram das primícias de seus ministérios para o serviço da formação.

O Seminário Interdiocesano é um lugar muito especial. Um ponto de referência, de unidade para uma Província. Quem faz a experiência de viver nesse espaço, faz uma experiência privilegiada; acaba, por relacionar-se, com a Igreja do Estado todo e se abre a um vasto campo de novas amizades. Posso dizer, então, que fiz uma bela experiência; e agradeço a Deus por isso e por cada pessoa que conheci.

Não é possível Seminário, sem haver seminaristas. O Seminário, como explica o próprio vocábulo latino, é sementeira. Os seminaristas são sementes, potencialmente, são: “Igreja do amanhã”. Sou muito agradecido, também, pela vida de cada um deles. Alegro-me, com o chamado, a eleição de Deus, e com a missão que vão assumindo, desde agora, já no trabalho pastoral. Eles são os futuros pastores e lideres, chamados a serem servidores, numa época carente de boas referências e do bom testemunho cristão. Eles são a esperança da Igreja.

Sinto-me agraciado por acompanhar e fazer parte da expectativa e da alegria dos seminaristas e padres com a chegada de cada um dos novos bispos da província durante estes anos. Agradeço a Deus, pela experiência que fiz, pela fraterna convivência e acolhida no Seminário de cada um deles; e dentro das minhas muitas limitações, de poder colaborar, de poder servir.

Terminados os três anos de minha provisão como Reitor (2009-2011), e coincidindo o prazo de renovação de meu contrato com a Arquidiocese de Palmas, novamente, fui convidado, agora por Dom Pedro, a permanecer em Palmas e continuar colaborando na Arquidiocese. Agradecido explanei a ele o meu desejo de retornar à missão; e agradeço a sua compreensão de Pai e Pastor. O seguimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, o tornar-se discípulo e missionário, implica fazer a trajetória do Mestre, implica identificar-se com Ele.

Na caminhada para Jerusalém, lugar do ponto máximo da Missão de Jesus, aos que reivindicavam a sua direita ou esquerda, Jesus ensinou que o seu Reino é feito de serviço e de humildade. Ensinou aos que se dispõem a segui-lo, que na missão, cabe sim, uma participação: a participação no seu cálice. E como é bom sentir que a vida não é dom para si; que a vida se faz oblação e que a nossa entrega e doação, em Jesus Cristo nosso Senhor, tem valor redentor. Sinto-me, então, feliz, pois embora pequeno e indigno, tenho sentido a participação desse cálice da paixão do Senhor. E poderia, até mesmo, na intimidade com o mestre, exprimir: “na minha sede, deram-me vinagre, por bebida”.

Quero de maneira especial e afetuosa, deixar meu agradecimento a Dom Pedro Brito Guimarães, nosso segundo Arcebispo. Dizer-lhe meu muito obrigado, por estar entre nós. Este primeiro ano se passou, então, se pode perceber: clero, seminaristas, grupos, movimentos, pastorais e em todo povo de Deus, que fomos caminhando juntos. Novas realidades e situações foram surgindo; fomos nos encontrando, partilhando a vida.

Aprendemos muito com o novo Pastor, e creio que ele ainda tem muito o que ensinar e partilhar com todos. Mas quero registrar aqui o que colhi para mim, de seu testemunho. Percebi, uma grande paciência em ouvir e acolher; um significativo silêncio mariano: espiritualizado, gerador de palavras objetivas, sinceras, honestas e de decisões maduras, ponderadas e acertadas. Um sorriso reservado e simples e que se abre diante das coisa belas e também mais simples; Um homem apaixonado pela natureza e seus encantos; um poeta na alma e nos versos.

Estamos aprendendo “a ter sede”

Aprendendo, de quantas coisas se é possível ter sede.

Temos consciência que a verdadeira saciedade, só será prazerosa se a nossa sede também for grande..

“Tenho sede!” Foi este o lema escolhido e abraçado para o seu ministério episcopal. “Tenho sede” foi, muito antes, o grito de Jesus na Cruz. Sinal, para nós todos, de que este lema pode ser vivido, levado à diante. Pois Jesus sentiu a nossa sede e podemos, portanto, provar da sua.

Agradeço a Dom Pedro, por seu incentivo a ter sede, sede do que é mais nobre, do que é do alto, daquilo que é da vontade de Deus. Palmas precisa muito, do seu testemunho, da sua força, do seu otimismo, de sua vida. Sou-lhe muitíssimo grato, por conhecê-lo e agradecido ao nosso bom Deus, que lhe deu experiência e sabedoria, e que o enviou até nós.

Levarei, no coração, desse tempo, na Arquidiocese, uma rica experiência. Experiência da providência divina, do relacionamento humano e fraterno, dos desafios e superações; e ainda mais, experiência da fidelidade da presença do amor de Deus, nos consolando e animando. Essa experiência permanecerá, me fará, ao certo, mais pronto e mais forte para abraçar uma próxima missão.

Deixo minha saudação, de maneira toda carinhosa e especial, aos padres Carlos e ao Padre Aryel, Operários de Jesus que, como tantos de nós, chegam a essas terras para somar. Que o Divino Espírito Santo, os acompanhe e assista em seus trabalhos.

Finalizando, quero expressar todo meu agradecimento aos irmãos no ministério, aos nossos padres que colaboram com o Pastor dessa Igreja, na construção do Reino de Deus em Palmas. A eles e todos com quem convivi, peço-lhes perdão se deixo alguma mágoa ou se não consegui corresponder às expectativas de alguns e conto com as orações de todos, pela minha nova missão.

Nestas terras, irmãos, somos todos estrangeiros, de alguma forma missionários.

Que todos possam fazer uma rica experiência, se sentindo muito acolhidos e amados, o tanto quanto me senti amado e acolhido, no Tocantins.

Santa Teresinha do menino Jesus, Maria, Nossa Senhora Rainha da Paz, interceda.

Deus nos abençoe a todos!

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