Arquidiocese de Palmas

› 27/06/2022

VISITA AD LIMINA APOSTOLORUM COMO NUNCA ANTES VIVIDA

 


Dom Pedro Brito Guimarães

Quando eu era criança criava e sonhava muitas fantasias sobre festas, viagens, presentes, ser padre, rezar missa, visitas de parentes ou de pessoas importantes para a minha vida. Por causa disto, sou de fato um “caboclo sonhador!” Se fôssemos visitar os baús das nossas fantasias existenciais muitas delas viriam à tona.
Parece que, na vida adulta e envelhecida, estes fenômenos desaparecem. Não sonhamos mais. Temos medo de ser confundidos com adolescentes. À medida que vamos nos distanciando da fase pueril ou infantil e nos aproximando da última fase da nossa vida terrestre, deixamos de sonhar infantilmente. Mas algo fica no nosso inconsciente consciente. De vez em quando temos recaídas e voltamos a sonhar como crianças.

A visita Ad Limina Apostolorum que estou finalmente realizando, depois de doze anos, é este tempo para saborear sonhos infantis, na fase madura. Desde o dia em que tomei consciência de que agora era verdade, que a visita iria acontecer, senti as mesmas sensações, descritas acima. Voltei a ser criança. Voltei a sonhar com a igreja dos meus antigos sonhos. Estava com saudade deste tempo.

Nos aeroportos, nos aviões e nas antessalas dos Dicastérios, me comportei como um menino, travesso e sonhador. Uns sentimentos atávicos se apoderaram de mim. Algo de novo está acontecendo no meu cenário existencial, espiritual e pastoral. É que esta visita Ad Limina me fez bem. É um santo remédio para me desenferrujar. Algo novo como há muito tempo não vivia mais, não experimentava mais, não curtia mais. Algo novo, saboroso, prazeroso e expectante. Estou renascendo um pouco mais.  Sinal de quê? Gosto de quê? Sabor de quê? Esperança de quê? O fato é que estou vivendo, regido pela esperança. Ela é meu cenário, minha bússola, minha bandeira, meu barco de viagem e meu porto seguro.

Lembrei-me da imagem da sabedoria, brincando, feito criança, na superfície da terra (Pv 8,31), na soleira do túmulo dos apóstolos Pedro e Paulo.
Estou, como se diz na canção: “sou homem maduro, mas na sua frente, pareço um menino”. O que esta narrativa lhe diz, além do que disse a mim? Algo novo, em participar?
Às vezes, tenho a sensação de que a preparação é melhor do que a própria festa.
Quis a providência divina que esta visita Ad Limina começasse com a audiência com o papa Francisco. “Audiência” é a experiência da pastoral do ouvido. Nela vale mais o escutar do que o falar, o silêncio do que a palavra, a admiração do que a tietagem, a obediência do que tudo mais… Ninguém pode ficar indiferente diante do papa. Afinal, é ele o elo da cadeia ininterrupta que nos une aos apóstolos e dos apóstolos a Jesus. Estar com o papa é estar no limiar das Basílicas dos apóstolos Pedro e Paulo. Eles são as duas colunas que sustentam a Pedra Angular. Terei a graça de concelebrar com o santo padre na festa destes dois apóstolos.
Entreguei a ele, em nome de todos, um terço de capim dourado e um resplendor do Espírito Santo, também enfeitado com capim dourado. Ele disse, três vezes: “muito belo”, “muito belo”, “muito belo”. Disse a ele que estamos rezando em suas intenções e pedi a ele orações por todos nós. Foram três horas de audiência. Fui escolhido moderador. Quase todos falaram. Ele, em resumo, nos deu três conselhos: sinceros, livres e fiéis (sinceridade, liberdade e fidelidade).
É um imenso prazer estar em Roma, lembrando que a palavra “Roma” é o amoR ao contrário. Acho que isto é o bastante. Paro por aqui, até o próximo capítulo, se houver novidades. Talvez nas próximas cenas terei algo mais a dizer. Quem sabe!?

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