Arquidiocese de Palmas

Artigos › 19/02/2019

O Bom Pastor nos chama para a missão!

“O Pai me ama porque dou a minha vida” (Jo 10, 17). No 4º Domingo da Páscoa a Igreja celebra Jesus, o Bom Pastor, que, movido por sua misericórdia, não só vai em busca da ovelha perdida, mas dá a vida por ela. 

É dia de rever nossas atividades pastorais enquanto missionários de Jesus Cristo. A missão de ir atrás das ovelhas perdidas não é somente de Jesus cristo, mas é de todos nós, batizados. Aqui entra a urgente necessidade de praticar o que temos como graça de Deus, ser missionários. Jesus, o Bom Pastor, chama a todos para ser missionários. Por isso, antes de tudo, o missionário precisa se tornar sensível e solidário às necessidades daqueles que carregam em seus ombros fardos insuportáveis, tentando dar uma razão de ser em meio à dor e o sofrimento que marca a história de cada um em particular. O missionário é antecipado, prevenido, porque busca o sentido espiritual em cada situação complexa. Sua presença é a antecipação do mundo que há de vir; dessa forma, o missionário se realiza no servir, na diaconia da palavra, da caridade e dos sacramentos. 

Ser missionário é uma necessidade essencial e existencial da vida cristã. Todos, sem exceção, são chamados pela Igreja a viver o seu mandato batismal, quer seja padre, diácono, freira, leigo. Nos tempos em que vivemos é preciso seguir o que São Paulo ensina: “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e julgar, para que possais distinguir o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito” (Rm 12,2). O mundo precisa do nosso trabalho e testemunho!

O Papa João Paulo II apontou aos bispos do nordeste, na visita “ad limina”, dizendo: “vivemos a parábola do bom pastor, mas às avessas. Na parábola, ele diz que havia 99 ovelhas no redil e o pastor foi atrás da única ovelha que havia se perdido”. Hoje, porém, diz o Papa, “uma ovelha está no redil e 99 estão dispersas”. Esta é a realidade evangélica em que nos encontramos.
É tempo propício para descruzar os braços e sair em missão, ir ao encontro das ovelhas que estão sem rumo para arrebanhá-las. Esta missão é de Jesus Cristo, da Igreja, e de todos nós, batizados, que fez a profunda experiência de um dia também ser encontrado pelo Bom Pastor. A experiência do encontro com Cristo garante um caminho seguro, onde dia a dia seremos saciados e cuidados por Ele. 

A palavra “bom pastor”, não está se referindo à qualidade de Cristo, mas sim à sua eficácia. Se refere pontualmente ao pastor que desempenha com eficácia o seu ofício. Bom Pastor, neste sentido, significa aquele que é bom no que faz, porque faz com qualidade, com zelo amoroso. A eficácia de Jesus segundo os evangelhos se dá pela ação do Espírito Santo: Jesus partiu do Jordão, onde foi batizado, “cheio do Espírito Santo”. Aí está a razão da eficácia de Cristo, ser movido pelo Espírito, paralelamente, esta também é a raiz da nossa eficácia. Só seremos eficazes, se estivermos cheios do Espírito Santo. 

O trabalho é árduo e sofrido, exige muito amor por Jesus Cristo, pelo próximo e pela Igreja. O trabalho pede de cada um total doação para se tornar um missionário perspicaz, ou seja, aquele que possui facilidade para perceber as coisas ao seu redor, aquele que é bem informado, inteiro e livre.
Ser missionário a exemplo do Bom Pastor é dever de todos nós, mas parte da escolha, da decisão de cada um. Uma vez que nos dispomos ao serviço, com a eficácia do Espírito Santo, o fim último é levar às ovelhas perdidas o grande pentecostes, usando nas suas feridas os dons e frutos do Espírito Santo, para realmente serem curadas e devolvidas cheias de vida para o rebanho do Pastor, porque Ele mesmo diz: “Eu vim para que tenham vida e vida em abundância” (Jo 10, 10).

Mais do que nunca, nos tempos atuais, “o ladrão vem só para roubar, matar e levar à perdição” (Jo 10,10), e a única maneira de arrebanhar as ovelhas e devolvê-las sadias para os braços do Pastor, é exercer o ministério de batizado indo de casa em casa espalhando a fé no meio dos desacreditados, levando a graça do amor de Deus pela ação do Espírito Santo a todos que necessitam. É preciso ser “bom” naquilo que fazemos.
  

“Não é pela força nem pelo poder, mas pelo meu Espírito é que se fará esta obra.” (Zc 4,6).

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