Arquidiocese de Palmas

Artigos › 14/11/2022

POR AMOR À EUCARISTIA

Jesus inicia a celebração da sua última ceia que, para nós, é a instituição da eucaristia, com um ardente e amoroso desejo: “Eu desejei ardentemente comer esta ceia com vocês, antes de morrer” (Jo 13,15), pois, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1). A eucaristia é o eco deste seu último e amoroso desejo ou desejo amoroso. A eucaristia é esta linda inspiração e declaração de amor de Jesus, o esposo, por sua esposa, a Igreja.
Como se chama o fim do amor de Jesus pelos seus? Eucaristia. O amor é e está na base de tudo. Tudo o que nasce é obra de amor. Tudo o que existe é ato de amor. Não há nada na vida e não se faz nada na vida que tenha sentido, significado e valor sem amor. Sem amor nada tem valor, significado e sentido. A eucaristia também é assim. Sem amor não há e nem pode haver eucaristia. Amor é o outro nome deste “tão sublime sacramento”, “que contém todo sabor” e todo amor. A eucaristia é o sacrifício de louvor e de amor. O amor leva Jesus a dar a vida por seus amigos. É preciso inebriar-nos deste sublime da Sacramento que contém todos os sabores e todos amores. O amor sempre se comunica. Uma igreja autenticamente eucarística é uma igreja autenticamente missionária.
Que amor é este que dá origem e que brota da eucaristia? O amor-doação, o amor-caridade, o amor-serviço, o amor-contagiante e o amor-missão. Estes são os cinco aspectos pelos quais se entende a eucaristia. Os três verbos – tomar, comer e dar-distribuir, e as três palavras explicativas, com os quais Jesus instituiu a eucaristia, têm conotações destas quatro expressões da eucaristia. O “tomar” remete à preparação das oferendas. O “comer” remete à comunhão de quem preside a eucaristia. E o “dar-distribuir” remete à distribuição da comunhão aos demais membros da assembleia litúrgica.
A vida de Jesus sempre foi eucarística. Os primeiros adoradores de Jesus, em Belém, a Casa do Pão, foram os pastores ou os reis magos. Eles, ao chegarem junto a Jesus, se ajoelharam aos seus pés, o adoraram e lhe ofertaram ouro, incenso e mirra ( Mt, 2,11-12; Lc 2,26). Esta é a primeira tipificação do amor a Jesus eucarístico. O amor eucarístico é um amor oblativo, sacramentado.
Ao largo de sua vida pública, Jesus se sentou à mesa, em refeição, com pessoas consideradas malvistas, com corolários eucarísticos.
Depois disto, o amor a Jesus eucarístico é tipificado na condição do grão de trigo caído por terra que morre para gerar vida (Jo 12,24), e na condição da videira, continuamente podada para poder dar muitos frutos (Jo 15,1). No patíbulo da cruz, o grão de trigo caiu, de fato, por terra e a videira verdadeira foi, de fato, podada dos pés à cabeça. Tudo por amor, pois, “não há maior prova de amor do que dar a vida por seus amigos” (Jo 15,13).
Tudo na eucaristia é páscoa e pascal, passa e passagem. Tudo na eucaristia passa da morte para a vida, da vida simplesmente para vida divina e plena, para a dignidade e a sacralidade da vida. O pão e o vinho passam a ser o Corpo e o Sangue de Jesus. Jesus passa a ser pão e vinho, ceia, comida e bebida. A Igreja passa a ser o corpo místico de Cristo. E a assembleia litúrgica passa a ser um outro Cristo.
A eucaristia é a páscoa do amor. Paulo disse que quem comunga a eucaristia sem amor comunga a sua própria condenação. Diz o papa Francisco que “o pão aumenta passando de mão em mão”. A eucaristia é o maior ato de amor do Pai, em Jesus, no Espírito, pela humanidade, faminta e sedenta de pão, de água e de sonho. Não há nada mais nosso do que a nossa fome, a nossa sede e o nosso sonho. Ninguém tem a minha fome. Ninguém tem a minha sede. E ninguém sonha o meu sonho. Só eu, mais ninguém.
Por amor à eucaristia sou cristão e sou bispo. Esta é a minha declaração de amor à eucaristia, presente da minha participação no 18º Congresso Eucarístico Nacional, em Recife. Só me resta, finalmente, dizer: “eu amo a eucaristia!”

Dom Pedro Brito Guimarães
Arcebispo de Palmas – TO

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