Arquidiocese de Palmas

Artigos › 19/02/2019

REFLEXÃO SOBRE O PADRE NO MÊS VOCACIONAL

Nós poderíamos perguntar: – Quem é o sacerdote? – O que se requer dele? – Qual é a sua identidade?

            De certo, não é nas ciências do comportamento humano, nem nas estatísticas sócio-religiosas que vamos buscar a resposta. Mas, sim, em Cristo e na sua Palavra.

O padre é, antes de tudo,  um vocacionado: “aquele que foi  chamado do meio dos homens, constituído a favor dos homens,  naquilo que diz respeito a Deus”. Chamado a continuar a missão de Jesus Cristo.

          -“Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10; -“Não fostes vós que me escolhestes, fui eu quem vos escolhi, a fim de que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça” (Jo 15,16); -“Desde o seio de tua mãe eu te escolhi; com amor eterno eu te amei ” (Is 49,1)

O padre é um enviado. Mesmo dentro de suas limitações e fraquezas, ele tem a missão de Jesus Cristo. Na pessoa de Jesus Cristo, ele perdoa, consagra o pão eucarístico e proclama a Boa-Nova aos pobres e contritos de coração.

            Veio para salvar os pecadores dos quais somos os primeiros. O padre não existe para si mesmo, para fazer parte de um clube de santos, mas existe para os outros.  Ele não dá a si a absolvição dos pecados. O padre é alguém que está a serviço do Reino de Deus e a serviço dos irmãos. Não é sem razão que o Santo Cura d’Ars pôde dizer estas palavras: Quando virdes um padre, lembrai de Nosso Senhor Jesus Cristo”.

O padre existe para ser testemunha viva do Ressuscitado e de tudo quanto Ele fez e nos ensinou. Para edificação do povo de Deus e para o profético serviço de construção de uma sociedade justa e fraterna, segundo o Plano do Pai. O padre, dentro da sua missão, é constantemente desafiado por um mundo em crise e em transformação: o secularismo e pluralismo religioso; a crise de valores: há mandamentos que o homem moderno acha que não vale mais. O individualismo de, no século das comunicações, nunca houve tanto confinamento e barreiras entre os homens. O cansaço na busca da vivência dos valores espirituais e bem-estar material, como únicos ideais da vida. Fuga de tudo que é sacrifício e renúncia. Experiência errada da liberdade: ao invés de adesão à verdade objetiva e universal, se transforma numa adesão cega aos instintos e à vontade própria; visão errada da sexualidade que, ao invés de ser um serviço à comunhão e à doação, se transforma em um objeto de consumo.

O homem moderno se transforma naquele que se pode chamar “mocinho satisfeito” – não precisa de Deus; o homem se afasta de Deus.

            Para que possamos enfrentar os desafios da hora presente, é necessário fazermos aquela mesma experiência de Jesus que, “sendo de condição divina despojou-se e esvaziou-se de si mesmo, tomando a condição de servo, sendo obediente até a morte e morte de cruz”.

            Naturalmente, para fazermos toda essa caminhada, supõe que coloquemos Deus em primeiro lugar em nossa vida. Colocando Deus como princípio unificador da minha vida, tudo mais tomará seu lugar. Assim, o padre, como homem de Deus, encontra o meio eficaz de enfrentar todos os desafios da hora presente sem correr o risco de perder o essencial.

O padre, o homem não tanto que fala de Deus, mas que transmite sua experiência de Deus para os irmãos, é a figura de Moisés que está em comunhão com Deus, na montanha, enquanto isso, o mundo, cá embaixo, está encontrando o seu caminho. É exatamente essa experiência de Deus que vai fazer o padre o portador de uma palavra poderosa para transformar a vida pessoal e social dos homens, de conformidade com o desígnio de Deus.

Só essa experiência de Deus vai fazer do padre o homem equilibrado, necessário na Igreja e no mundo, evitando cair na forma laicizada de ser padre. Mas tomando a estrada e a forma que vem do Evangelho e da rica tradição da Igreja. Só o padre que faz a experiência do Deus vivo poderá escapar de cair nas armadilhas das ideologias, em voga, e nos modismos tão frequente no nosso meio.

Só assim poderemos ser homens de esperança e saberemos que no exercício do ministério, somos cooperadores de Deus e nossa esperança se apóia na certeza de que é Ele o próprio Deus que dá o incremento. No dia da ordenação sacerdotal, o Bispo fala ao ordenando: “pela tua palavra e teu exemplo construirás a casa, isto é, a família de Deus”, uma casa de fé, uma casa evangélica e uma casa missionária.

Monsenhor Rui Cavalcante

 

Palmas/TO, 19/08/2015

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