Arquidiocese de Palmas

REPAM – CARTA DE COMPROMISSO.

REGIONAL NORTE 3 – CNBB

Rua Dr. Francisco Aires, 135 – Centro

CEP 77.650-000- Miracema do Tocantins – TO

Fone: (63) 3366-2285

Email: norte3cnbb@gmail.com

 

CARTA-COMPROMISSO DOS PARTICPANTES DO SEMINÁRIO DA REPAM SOBRE A LAUDATO SI AO POVO DE DEUS DO REGIONAL NORTE 3

 

                                                        Querido e amado, povo de Deus,

 

  1. “Da mesma forma como a chuva e a neve, que caem do céu e para lá não voltam sem antes molhar a terra, tornando-a fecunda e fazendo-a germinar, a fim de produzir semente para o semeador e alimento para quem precisa comer, assim acontece com a minha palavra que sai da minha boca: ela não volta para mim sem efeito, sem ter realizado o que eu quero e sem ter cumprido com sucesso a missão para a qual eu a mandei” (Is 55,10-11).

 

  1. Nós, 120 participantes do Seminário promovido pele Rede Eclesial Panamazônica (REPAM), sobre a Laudato Si, em  Miracema do Tocantins, nos dias 07 a 09 de outubro de 2016, cremos, professamos e proclamamos nossa fé no Deus que criou a terra e o céu. Tudo o que Deus criou, e viu que era muito bom, se move e gira em círculos. A Palavra que Deus profere também segue este mesmo ritmo circular continuamente. A Igreja, defensora que é da obra da criação, faz isto pela sua fé no Deus da criação e no compromisso que temos do cuidado com a nossa casa comum.
  2. O papa Francisco na Encíclica Laudato Si, sobre o cuidado da casa comum, insiste na visão sistêmica do mundo, onde tudo está intimamente relacionado. Aborda temas convergentes, como a preocupações da ciência, da sociedade e da Igreja, como as questões socioambientais.  Incentiva uma visão integradora entre as questões sociais e ambientais, promovendo uma Ecologia Integral e diz que “a crise ecológica é um apelo a uma profunda conversão interior, pessoal e comunitária”. Esta conversão gera várias atitudes transformadoras como  gratidão e gratuidade, consciência amorosa de não estar separado das outras criaturas; desenvolver a criatividade e o entusiasmo para resolver os dramas do mundo.
  3. O Estado do Tocantins vive um momento triste de destruição do Cerrado, de grilagens de terras, desmatamento, violências e assassinatos de três pessoas ligadas à questão de terra. Somos considerados uma das últimas fronteiras Agrícolas do país, onde ainda existem terras agricultáveis. O agronegócio tem avançados sobre essas terras e territórios, expulsando camponeses, quilombolas, indígenas, utilizando-se do trabalho escravo, destruindo e envenenando nossos rios.
  4. Diante desse cenário temos também as esperanças; articulação entre os jovens do campo e cidade, fortalecimento dos movimento indígenas, quilombolas, articulação com outros povos tradicionais, o surgimento da Articulação Camponesa de Luta Pela Terra e Território no Tocantins, as comunidades que resistem  e propõe alternativas de relação com a terra através da agroecologia e da preservação do nossos rios. O diálogo entre campo e cidade vai se fortalecendo na defesa da casa comum, pois, ambos estão interligados.
  5. Em nossa casa comum, vemos que as juventudes indígena, quilombola, rural e urbana, e tantos outros cenários desta  Panamazônica, também geme em dores de parto. Os movimentos político e econômico sustentados pela elite dominante expulsa essas juventudes para as periferias geográficas e existenciais. Por isto queremos, que as juventudes tenham terra, trabalho e teto. Clamamos aos jovens e às jovens das comunidades eclesiais e da sociedade que assumam como compromisso a dimensão missionária, tecendo uma rede de solidariedade em defesa da vida nestas periferias.
  6. A partir do convite de cuidar da casa comum, a Igreja do Tocantins assume o compromisso de se engajar na luta pela defesa do cerrado apoiando ações campanhas e projetos: a criação de uma equipe ecológica para a conscientização da questão ambiental; na gestão de resíduos, consumo de água e alimentos, utilização da energia de fontes limpas e renováveis; ações e defesa dos rios; cobrar celeridade do STF para julgar e anular a vigência da Lei Estadual 2713/2013 que isenta de licenciamento ambiental todos os projetos agrosilvipastoris no Tocantins; Assumir a campanha s de defesa do Cerrado bem como a divulgação dos seus 10 mandamentos.

Que o Deus da criação abençoe e protege a nossa Panamazônica.

 

Miracema do Tocantins, 9 de outubro de 2016

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