Arquidiocese de Palmas

Artigos › 19/02/2019

Santo, somente santo e totalmente santo

“Em primeiro lugar, não hesito em dizer que o horizonte para que deve tender todo o caminho pastoral é a santidade” (João Paulo II, Novo Millennio Ineunte, 30).

Quando eu ainda era seminarista, em Roma, assisti a uma palestra de Dom Hélder Câmara, que nunca me esqueci. Dizia ele com aquela sua forma peculiar de ser profeta-poeta-ator: “tem gente que tem jeito de santo, mas santo não é; tem cara de santo, mas santo não é; tem gosto de santo, mas santo não é; tem cheiro de santo, mas santo não é…” Aquela frase, pronunciada repetidamente e completada por nós estudantes, foi tomando forma de ladainha: mas santo não é, mas santo não é, mas santo não é…

Santidade é a totalidade dos dons e carismas do Espírito. Santidade é a plenitude do amor, da fé, da graça e dos outros bens da salvação. Santo é um atributo e uma definição do próprio Deus. Santo, somente Santo e totalmente Santo é Deus Pai. Santo, somente Santo e totalmente Santo é o Espírito Santo. Santo, somente Santo e totalmente Santo é Jesus que, além do mais, é fonte de toda santidade. Ele é três vezes Santo, mil vezes Santo.

A santidade é também a vontade e o desejo de Deus (1Ts 4,3) para conosco: “sede santos como eu sou Santo”. Desta sua santidade todos nós participamos. A nossa é uma vocação à santidade. O cristão é o contrário de uma árvore. Enquanto a árvore tem suas raízes fincadas no chão e cresce para cima, o cristão ao contrário, tem suas raízes no céu e seus ramos voltados para a terra para santificá-la, pois, como diz Paulo, a “nossa pátria é o céu” (Fl 3,20) Certamente uma árvore estranha esta árvore cristã. Mas vale pela analogia.

Pela proximidade da festa, com a qual a Igreja presta homenagem a todos os santos e as santas de Deus, se colocarmos, como pede o papa, acima citado, a santidade como horizonte de todo projeto pastoral podemos ter a certeza de que alcançaríamos este desejo do Senhor. Um dos frutos do cristianismo é produzir santos e santas. O Evangelho só produz santos. A nossa é a Igreja dos santos. Celebrar a festa de um único santo já é uma graça, imagine celebrar todos os santos e todas santas de Deus juntos e num único dia: todos os carismas, todas as graças e todos os dons de santidade juntos.

Creio na comunhão dos santos porque os santos são meus amigos e meus irmãos na fé. São Pedro é meu amigo e meu irmão. São Paulo é meu amigo e meu irmão. Francisco, Antonio, Raimundo são meus amigos e meus irmãos. Maria, Teresa, Clara, Catarina, Teresinha… são minhas amigas e minhas irmãs: rogam por mim, intercedem por mim, oram por mim. Quando eu vejo pregadores, curandeiros, milagreiros, pastores, apóstolos, “bispos” e “bispas”, com jeitos, caras, gostos, cheiros de santos, fazendo milagres, curando, mudando a sorte das pessoas, eu penso nos meus amigos e irmãos santos e santas. Porque se eles podem fazer obrar milagres, muito mais podem os santos que estão mais próximos de Deus. Estas pessoas estão ocupando o lugar dos santos, fazendo papéis de santos. Para nós católicos estes poderes miraculosos são reservados somente aos santos e às santas de Deus. Se um comedor de feijão pode fazer milagre, um santo também pode e deve.

Por fim, o meu pedido ao Pai Santo, a Jesus Santo e o Espírito Santo, na festa de todos os santos, é que a Igreja e a sua missão sejam santas; é que o clero, os consagrados e o povo sejam santos; é que a vida, a fé e o amor sejam santos.

Daí a minha conclusão: creio, amo, venero e quero ser santo, somente santo e totalmente santo. Amém!

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