Arquidiocese de Palmas

Tocantins é um dos estados mais religiosos do Brasil

O Tocantins é um dos Estados mais religiosos do Brasil, mostra a pesquisa Novo Mapa das Religiões, divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro, no dia 24 de agosto. Tanto no índice de católicos, quanto no de evangélicos, o Estado está bem posicionado no ranking nacional, conforme mostra a pesquisa. Segundo o levantamento, 70,6% dos tocantinenses, ou um total de 969.727 pessoas, são católicos, o que garante ao Estado 14º lugar no ranking. O Estado está em 10º lugar em número de evangélicos, com 21,96% de sua população, ou 301.631 pessoas. Desses evangélicos, 15,51% são pentecostais e 5,19% pertencem a outras correntes, entre elas as tradicionais. Contudo, a pesquisa da FGV revela que o Tocantins está menos católico hoje do que quando foi realizado o último levantamento, em 2003. Naquele ano, os católicos representavam 79,83% da população (hoje são 70,6%).

Já o número de evangélicos saltou de 16,09% em 2003 para os 21,96% registrados em 2009. Os pentecostais cresceram de 11,14% para 15,51% e as demais correntes evangélicas de 4,95% para 6,45%. Os mesmo fato se constata em Palmas, segundo a pesquisa da FGV. A Capital tinha 77,1% de católicos em sua populção em 2003 e este índice caiu para 62,65% em 2009, isto é, hoje são 140.221 católicos. O crescimento do número de evangélicos foi ainda maior em Palmas de 2003 para 2009, passando de 16,7% (11,75% pentecostais e 4,95% das demais correntes) para 26,08% (17,44% pentecostais e 8,64% das demais correntes), ou 58.371 pessoas.

Também cresceu o número de tocantinenses e palmenses que se dizem sem religião. No Estado eles somavam 3% em 2003 e em 2009 chegaram a 5,19%, ou 71.287 pessoas. Em Palmas, o crescimento foi ainda maior, dobrando em seis anos. Em 2003, os que se diziam sem religião em Palmas somavam 4,21% e agora eles são 8,43%, ou 18.867 pessoas. O coordenador da pesquisa Novo Mapa das Religiões, da FGV, Marcelo Neri, afirmou à Agência Brasil que o Brasil pode deixar de ser o país mais católico do mundo nos próximos 20 anos. “É um ritmo forte de transformação. As mudanças que aconteceram em 100 anos agora estão acontecendo em dez [anos]. Se continuar essa perda de 1 ponto de porcentagem [de católicos] por ano, em 20 anos você teria menos de metade da população”, calculou Neri. O relatório mostra que atualmente o percentual de mulheres católicas (71,3%) é menor do que o de homens (75,3%). “Acima de tudo, acho que seja a chamada revolução feminina. Poucas coisas mudaram mais no cotidiano das pessoas do que questões como trabalho e anticoncepção entre as mulheres. O fato é que, embora as mulheres sejam bem mais religiosas do que os homens, elas são menos católicas, talvez por uma questão de afinidade”, disse Neri.

O Novo Mapa das Religiões revela que o sexo feminino representa a maioria entre adeptos de 23 das 25 religiões listadas como as mais populares pela pesquisa, como a católica, a evangélica pentecostal, a evangélica tradicional, a espírita kardecista, a luterana e a umbanda. Segundo o documento, enquanto os homens abandonaram crenças, elas mudaram de religião. “O catolicismo, o candomblé e o budismo são religiões masculinas. Todas as outras são basicamente femininas”, acrescentou o coordenador. A pesquisa da FGV mostra que o Brasil vai de encontro à tese do sociólogo alemão Max Weber que associa a situação econômica à opção religiosa. “O Brasil talvez seja o grande contraexemplo dessa tese. Os países mais tradicionais europeus estão passando por grande dificuldade econômica e todos os maiores são essencialmente católicos. Já entre o Brics [Brasil, Índia, Rússia, China e África do Sul], o Brasil é o maior [em relação à economia e a adesão ao catolicismo]”, avaliou Marcelo Neri.

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