Arquidiocese de Palmas

Artigos › 19/02/2019

Trabalhar em diálogo e comunhão com os presbíteros

Na segunda parte do n. 206 do Documento de Aparecida, encontramos esta recomendação: "Quando estão a serviço de uma paróquia, é necessário que os Diáconos e Presbíteros procurem o diálogo e trabalhem em comunhão".

A maioria dos Diáconos trabalha com os Presbíteros nas paróquias. Os que trabalham em diaconias ou em tarefas pastorais de nível diocesano ou setorial, diretamente ligados ao Bispo, ainda são poucos.

Infelizmente ainda constatamos que nem sempre Presbítero e Diáconos conseguem trabalhar em comunhão. Os Presbíteros normalmente não trabalham juntos com outros Presbíteros. A mentalidade é que na paróquia todos os outros ministros estão a serviço do padre. O padre é quem manda, quem organiza e quem decide.

Os Diáconos, em geral, por sua condição de casados e profissionais, podem ter uma maior experiência de diálogo e de trabalho em comunhão, mas muitas vezes tem mentalidade de competição e de auto afirmação, dificultando grandemente o trabalho em comunhão. Por isso esta recomendação dos Bispos exige de ambos uma profunda revisão de vida e conversão.

A paróquia deve ser um lugar de comunhão. Para isso, requer a renovação das paróquias, também nas suas estruturas. A renovação da paróquia exige atitudes novas dos que estão a serviço dela (cf. n. 201). Diáconos e Presbíteros devem estar dispostos a trabalhar neste sentido.

O capítulo V inicia lembrando que todos os batizados somos chamados a viver a comunhão trinitária.

A Igreja evangeliza e "atrai" quando vive em comunhão (cf. n. 159). O diálogo é requisito para a comunhão. A comunhão é sempre fruto de uma profunda comunicação. Aquela comunicação que vai além do simples programar e distribuir as tarefas. Diálogo e comunhão não significam ficar esperando um pelo outro. Pelo contrário, significam ir ao encontro, falar aberta e caridosamente o quanto sentimos, pensamos, e esperamos do outro.

O diálogo é um caminho de mão dupla. Nem o Padre pode ficar esperando pelo Diácono, nem o Diácono ficar esperando pelo Padre. A comunhão exige uma comunicação onde se sintonizam os corações. A comunhão verdadeira é fruto do amor profundo. Esta comunhão só é possível quando Presbítero e Diácono estão imbuídos de uma mentalidade de ministros como servidores.

Quando os dois estão dispostos a dar a vida um pelo outro, e por todos. Quando cultivam relações fraternas com todos (cf. n.195). Na medida em que ambos encarem o seu ministério como ministério de descentralização. Como ministério que promove o protagonismo dos leigos e leigas nas dimensões da liturgia, da palavra e da caridade.

À medida que tanto um como outro vivem o ministério na unidade respeitando a diversidade e entendem-no como complementariedade.

O diácono e Presbítero poderão ter diversos pontos de vista teológicos, pastorais e sociais. Certamente tem conhecimento diferentes, experiências de vida diferentes, dons diferentes, vocações específicas; mas saberão pelo diálogo harmonizar seus pontos de vista, seus conhecimentos, suas experiências de vida, na construção da unidade da comunidade.

O testemunho da unidade da comunidade dependerá em grande parte do testemunho de unidade e comunhão dos seus ministros ordenados.

Texto retirado do livro " A identidade do ser diaconal" (IX Assembléia Geral da CND, Abril de 2011)

Tenham uma boa semana, fiquem com Deus!

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