Arquidiocese de Palmas

Artigos › 19/02/2019

UM CESTO DE MISERICÓRDIA PARA CADA MÊS

 “Todos comeram e ficaram saciados, e ainda encheram doze cestos de pedaços dos pães e dos peixes”

(Mc 6,42).

 

No início deste ano de 2015, particularmente no dia 1º de abril, lançamos, para toda a Arquidiocese de Palmas, a minha primeira Carta Pastoral, com o título “Sobram doze Cestos”, escrita, à luz do Evangelho da multiplicação dos pães e dos peixes (Mc 6,34-44). Recebemos várias reações de recepção positiva. Uma delas, a qual me referi, em outra ocasião, diz o seguinte: “Os padres na Arquidiocese, seus principais colaboradores, deveriam se inspirar na carta para dar novo impulso missionário em todo o território da Igreja Particular. Oxalá a carta se traduza em projetos concretos de pastoral para tornar a Arquidiocese de Palmas sempre mais viva e dinâmica” (Padre Orestes, Provincial dos Salesianos). A sugestão de um amigo não pode ser desprezada. E é sobre ela que queremos nos concentrar daqui em diante.

No dia oito de dezembro, do corrente ano, na celebração de abertura do Ano da Misericórdia, lançamos a proposta, acordada por muitos, por alçadas de mãos, que iríamos assumir Doze Cestos de Misericórdia, um para cada mês. Como fizemos, na Carta Pastoral, com o significado de cada dia da semana (cf. número 9, página 29), faremos agora com cada um dos doze meses do ano. 

Como foram nomeados os meses do ano? Como os nomes originados da mitologia, de homenagens a personalidades políticas e da numerologia, tudo começou na Roma Antiga, no século VII a.C., na época do Imperador Numa Pompílio, redimensionado no século VII a.C., pelo Imperador Júlio César (100-44 a.C.) e oficializado no pontificado do papa Gregório VIII. Os primeiros seis meses são homenagens a deuses e às festividades romanas; julho e agosto são homenagens a Júlio César (julho) e a César Augusto (agosto); os demais meses, de acordo com uma ordem numérica.

Janeiro é uma homenagem ao deus romano Jano (Janus), senhor dos solstícios, encarregado de iniciar o inverno e o verão. Esta entidade tinha duas faces, uma olhando para frente, o futuro, e a outra olhando para trás, o passado, que representavam os inícios e os fins. Bom começar o ano com esta dupla visão de passado e de futuro. Fevereiro se refere a um rito de purificação, chamado de fébrua. Februarius era o mês da morte, para se realizar cerimônias purificatórias. No calendário cristão, é o mês da quaresma, da purificação e da preparação para a Páscoa. Março é o mês dedicado a Marte, o deus da guerra. Era o primeiro mês da primavera e das campanhas militares. Abril vem de aprilis (aperio: abrir – germinação das culturas). Era também o mês do desabrochar da primavera, propício para a semeadura dos campos e a abertura das flores. Pode ter surgido também para celebrar a deusa do amor e da paixão, mistura de Vênus com Afrodite. Em março, como em abril, comumente é celebrada a Páscoa. Maio é uma homenagem a Maia e Flora, uma das deusas romana da primavera e da fertilidade, mãe de Mercúrio, pai da medicina e das ciências ocultas. É considerado, por Ovídio, “o mês do conhecimento”. Na tradição cristã, maio é o mês de Maria, das mães, das flores, das noivas e do Espírito Santo. Junho faz alusão à Juno, esposa de Júpiter, entidade poderosa, guardiã do casamento, da maternidade e de outros bem-estar das mulheres. Hoje é o mês dos Corações de Jesus e de Maria e dos Preciosíssimos Corpo e Sangue de Jesus.

Julho, chamado inicialmente de Quinctilis (quinto mês do antigo calendário romano), foi rebatizado, em 44 a.C., de Julho, em homenagem a Júlio César, o mês que ele nasceu. É comumente entendido como o mês das férias. Mas muito se pode fazer, além das férias. Em 2016 haverá a Jornada Mundial da Juventude, na Polônia. Agosto vem do latim “augustus”. Antes era o sextilis, ou seja, “o sexto mês”, do antigo calendário; foi adotado com o nome de agosto, em homenagem ao Imperador romano Otávio Augusto César, também por ser o oitavo mês do novo calendário romano (Otávio = oitavo). No calendário católico no Brasil é o mês das vocações.

De Setembro a Dezembro, a explicação é bem mais simples: seguem a numerologia do calendário antigo: Setembro deriva da palavra latina septem (sete), o número da plenitude, dos dons e dos frutos do Espírito Santo. No Brasil, é o mês da Bíblia, em homenagem a São Jerônimo. É um mês ideal para irmos à fonte deste maravilhoso Livro que contêm instruções para bebermos da misericórdia de Deus. Outubro deve o seu nome à palavra latina octo (oito). Hoje no décimo mês, dez significa a obra completa de Deus: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até o dia de Cristo Jesus” (Fl 1,6). Além do mais, outubro é o mês missionário. Novembro deve o seu nome à palavra latina novem (nove). Com ele chega-se quase ao final do ano. Dezembro vem de dez, do antigo calendário. Dezembro é o prelúdio do futuro, a chave do recomeço, a estação final do ano que passa e a conexão com o futuro.  Dezembro é, enfim, Natal, festa, alegria e beleza. É um convite a sermos mais fraternos, mais solidários, mais sensíveis e melhores. Por ser o mês da transição, deve ser também o mês das expectativas, das promessas, dos projetos e dos sonhos. 

Somente para recordar quais são as Obras de Misericórdia: Citadas no Evangelho (Mt 25,31-46), contempladas no Catecismo da Igreja Católica (n. 2447) são quatorze, sete corporais: “dar de comer a quem tem fome; dar de beber a quem tem sede; dar moradia aos desabrigados; vestir os maltrapilhos; visitar os doentes e prisioneiros; sepultar os mortos”. E sete espirituais: “dar bons conselhos; ensinar os ignorantes; corrigir os que erram; consolar os aflitos; perdoar as injúrias; sofrer com paciência as fraquezas do próximo; rogar a Deus pelos vivos e defuntos”.

Como podemos transformar o Ano da Misericórdia em meses temáticos para a realização de micros ou macros atos de misericórdia bons, bonitos, virtuosos, cristãos e pastorais, simples e concretos, fáceis de serem praticados e de comprovados eficácias evangelizadoras, um Cesto de Misericórdia para cada mês, que nos ajudem a viver uma espécie de EVC (Evangelização da Vida Cotidiana)? Lembremos que Jesus disse que até um copo de água fresca, dado a um pequenino, na condição de discípulo, não ficará sem a sua recompensa (Mt 10,42). Jesus nos ensinou a rezar pedindo um pão para cada dia. Vamos todos agir assim? Vamos preparar estes cestos? Então, mãos à obra.

 

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