Arquidiocese de Palmas

Artigos › 19/02/2019

Ungidos para a missão

“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para a missão” (Lc 4,18). Fixemos nossos olhares em Jesus Cristo que entra na Sinagoga de Nazaré, sereno e forte, animado e destemido, ungido pelo Espírito. Jesus é a Palavra viva, o Livro vivente de Deus. Ele tem o poder de fazer cumprir as Escrituras. Hoje Ele se apresenta a nós, ungido e enviado para ungir e para enviar, pronto para evangelizar. O mesmo Espírito que O ungiu, ungirá também a nós, seus sacerdotes e seu povo bendito, com a unção da bondade divina, para a missão.

Os corações sacerdotais da nossa arquidiocese batem mais fortes hoje porque somos ungidos para ungir e enviados para enviar. Os óleos que abençoamos não são para serem guardados em frascos, mas para serem abertos para ungir o bendito povo de Deus das nossas comunidades. Como Maria abriu o frasco de quase meio litro de perfume de nardo, puro e caro, que a casa inteira ficou cheia do perfume do bálsamo (Jo 12,3), e com ele ungiu os pés de Jesus, devemos também abrir os nossos frascos de perfumes e urgir os pés dos “cristos” que encontrarmos na nossa solicitude pastoral.

Diante de tantas pobrezas materiais e espirituais, no mundo em que vivemos, somos ungidos para ungir o mundo com a beleza e a riqueza da fé e da misericórdia de nosso Deus. Muitos espaços físicos, sociais e espirituais da nossa arquidiocese precisam desta unção para que todos exalem o bom odor de Cristo em suas vidas. Lugares onde se concentram a injustiça, a maldade, a violência, a corrupção, a mentira e a divisão dêem espaços à bondade, à alegria, à verdade, à paz e ao amor. Os portais e os umbrais de nossas cidades, paróquias e casas paroquiais devem ser ungidos com o óleo da misericórdia divina. Nossas famílias precisam ser ungidas com os óleos da fecundidade, da fidelidade e da felicidade. Nossos jovens precisam ser ungidos com o Espírito da alegria e da vida, contra as tatuagens da droga e da prostituição que trazem nos corpos e nas almas.
Nosso povo precisa de sacerdotes ungidos com o óleo da alegria do discipulado missionário para ungir os outros discípulos missionários; de sacerdotes que não guardam para si e nem enterram os frascos de perfumes recebidos em cada missa crismal; de sacerdotes ungidores, que unjam as crianças para o batismo; os jovens para a crisma; os noivos para o casamento; as famílias, nas visitas e nas bênçãos de suas casas; os idosos, doentes e enfermos para o alívio de suas dores corporais e o conforto de suas almas. Sem esquecer naturalmente os pobres.

Que nossos sacerdotes tenham mãos abençoadas para bendizer e partilhar o pão, para perdoar e absolver, para acariciar e acolher; tenham bocas ungidas para ensinar as parábolas da misericórdia divina: do filho que saiu de casa, da ovelha que se desgarrou e da moeda que se perdeu; tenham pés abençoados para sair, andar e levar a boa-nova aos humildes e para proclamar o ano da graça do Senhor; tenham as vidas ungidas e protegidas contra os vírus da depressão, da crise de fé, da desunião e do relativismo.

O evangelista são Lucas resume a beleza da missão de Jesus como o ano da graça do Senhor. Jesus é o melhor pastor porque é o melhor discípulo. Ele nos quer bons discípulos e bons pastores. O maior bem está sempre para ser feito, o melhor bem está sempre para acontecer. Nós, sacerdotes, somos amados para amar, ungidos para ungir, consagrados para consagrar, abençoados para abençoar, alegres para alegrar, unidos para unir. Nós, sacerdotes, somos homens da palavra ungida para sarar, libertar e salvar. Nossa missão não é um serviço estressante, ao molde do trabalho escravo. Nossa missão é marcada pela alteridade e a pela gratuidade, o ano todo e todo ano. O segredo da vida sacerdotal está no encantamento por Jesus, pelo seu reino, pela sua missão, pela sua igreja, pelos seus pobres. Lutemos juntos para que não vivamos com espíritos abatidos, amargurados, enlutados, ensombreados e empoeirados pelo tempo. A missão não nos faz nervosos, azedos e violentos. O celibato não nos faz solteiros e estéreis. A igreja não nos desumaniza. Ao contrário, nos fazem humanos e psicologicamente integrados, místicos e mistagogos, doutores das coisas humanas e divinas, irmãos universais e pastores missionários. Depois de um dia de intenso trabalho poderíamos dizer: “estou cansado, mas por ti, Jesus!” Então “conservemos a doce e confortadora alegria de evangelizar (…) não através de evangelizadores tristes e desalentados, impacientes ou ansiosos, mas através de ministros do evangelho, cuja vida irradia o fervor de quem recebeu, antes de tudo em si mesmos, a alegria de Cristo…” (Documento de Aparecida, 552).

Nossa missão é permanecer na unção da alegria presente, paciente, fraterna e espectante. Para sermos e vivermos assim, precisamos investir mais na unidade, acreditar mais na reconciliação e intensificar mais nossas orações. Que hoje se cumpra as Escrituras que acabamos de ouvir. E como crianças nas mãos de Deus, peçamos a nossa querida mãe, Maria Santíssima, a graças de sermos ungidos, como ela, para gerar Cristo no coração do mundo. Amém

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