Arquidiocese de Palmas

Artigos › 19/02/2019

VI ASSEMBLEIA ARQUIDIOCESANA DE PASTORAL PALMAS, UMA IGREJA ANDANTE

VI ASSEMBLEIA ARQUIDIOCESANA DE PASTORAL

 

 

PALMAS, UMA IGREJA ANDANTE

 

Dom Pedro Brito Guimarães,

Arcebispo de Palmas – TO

 

Palmas, minha querida esposa, preparou-se para a VI Assembleia de Pastoral. Falo assim porque há no rito da ordenação episcopal, a entrega do anel, que poderia passar despercebido, por parecer de menor importância, mas seu significado, como é explicado nas palavras que o acompanha, nos permite entender o coração do ministério episcopal: “recebe o anel, símbolo da fidelidade; e, com fidelidade invencível, guarda sem mancha a Igreja, esposa de Deus (cf. Pontifical Romano, 79). Pelo visto, o bispo não é esposo principal da Igreja. O esposo da Igreja é Deus (Sponsa Dei), que a desposou, pelo Verbo feito carne. O bispo é o guarda, o sentinela, o atalaia, o vigia e o testemunha deste casamento. O anel que ele traz no dedo não remete primeiramente a ele, mas à Igreja, a esposa, e a Cristo, seu esposo. O anel é sinal da fidelidade e da aliança da Igreja e da pureza da fé. A missão do bispo é guardar esta aliança, velar para que a Igreja seja no mundo, de modo mais perfeitamente possível, a esposa pura de Cristo (cf. Pio Tamburrino, F., Il vescovo santificatore del suo popolo, in Duc in Altum, Pellegringgio alla tomba di San Pietro e incontro di riflessione per i vescovi nominati dal 1º luglio 2001 all’agosto 2002, Libreria Editrice Vaticana, 88). É neste sentido que se interpreta o texto que Paulo: “o bispo é um homem de uma só esposa” (1Tim 3,2), a Igreja.

Como esposa para as núpcias, Palmas se preparou para a sua Assembleia, através das Assembleias Paroquiais e Regionais e do Seminário sobre as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Mais que ponto de chegada, esta VI Assembleia é ponto de partida para o desbravar de novos caminhos, nunca dantes vistos. Os primeiros cristãos, quando ainda não havia Diretrizes e Planos de Pastoral, como temos hoje, foram chamados de “adeptos do Caminho” (At 9,2). Foi exatamente no caminho que eles foram chamados “cristãos” (At 11,26): no caminho, na missão, em Antioquia, e não em Jerusalém, onde moravam e trabalhavam os apóstolos. Jesus se auto-definiu o Caminho (Jo 14,6). Paulo se converteu a Jesus no caminho de Damasco (At 9,1ss; 22,4; 24,14). E o cristão se definiu cristão no caminho; a Igreja se definiu Igreja no caminho. A rigor, também nós hoje bem que poderíamos exigir este mesmo tratamento: sermos cristãos na missão, em Palmas.

A missão é o maior desafio da Igreja e, não como pensam alguns, a realidade sócio-cultural-religiosa, as distâncias geográficas e a falta de estrutura e de recursos econômicos e humanos. Todos estes desafios decorrem, ingressam, atrapalham, culminam, atingem, incidem na missão. Não é difícil cuidar pastoral e administrativamente de uma paróquia. O difícil é criar nas paróquias a cultura missionária. O que a impede mesmo de cumprir bem a sua missão é a falta de missão. O desafio maior que recai sobre nossos ombros é transformar as estruturas paroquiais em algo decididamente missionário (Cf. DAp 370). Não é difícil celebrar sacramentos. O imperioso desafio é transformar estas práticas sacramentais milenares em missão, capazes de gerar esperança e vida nova nos corações das pessoas. Não é difícil alimentar a vida do povo com práticas devocionais. Difícil mesmo é converter estas práticas em missão. Não é difícil conseguir dinheiro na Igreja. O desafio maior é aplicar este dinheiro na missão. A missão não é enfeite, adorno, luxo e lixo na vida da Igreja. Assim como nas grandes cidades, o maior problema é a mobilidade humana; na Igreja, o maior desafio é a mobilidade missionária, a sua passagem para a missão.

Antes de ser teológica, a missão é antropológica: “a missão no coração do povo não é uma parte da minha vida, ou um ornamento que posso pôr de lado; não é um apêndice ou um momento entre tantos outros da minha vida. É algo que não posso arrancar do meu ser, se não me quero destruir. Eu sou uma missão nesta terra, e para isto estou neste mundo” (Papa Francisco, EG 273). Como disse o padre Sávio Corinaldesi: “O Concílio Vaticano II tinha recordado que o anúncio do Evangelho, até os confins do mundo, é obrigação de todo cristão. Depois do Concílio, os papas continuaram lembrando a necessidade do empenho missionário. Mais de dois mil anos depois da sua vinda ao mundo, 70% da humanidade ainda não ouviram falar de Jesus Cristo; e dos 30% restantes, 90% precisam de uma nova evangelização. Em um mundo que criou o café descafeinado, o cigarro sem nicotina, o leite desnatado (…) nós inventamos a “missão sem saída”, o “envio” sem destino. Uma missão que não se aproxima das vítimas por receio de sujar as mãos ou a barra da túnica (…), descompromissada assim, não serve mesmo, não comunica boa nova e não converte ninguém. Melhor não fazer” (cf. “Parceiros das Missões”, abril de 2015, n. 34). Infelizmente, muitas vezes, criamos “missão sem saída” e “envio sem destino”.

Como o Anjo sussurrou nos ouvidos do profeta Elias, o Senhor dirá a nós: “há ainda um longo caminho a percorrer” (1Rs 19,7). E o que o Espírito disse a Filipe, dirá a nós: “aproxima-te da carruagem e a acompanhe” (At 8,29).  A missão é esta maratona de amor.  Pensemos então nisto.

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