Paróquia Santo Antônio de Lisboa: 24 anos em missão no Aureny III

Trajetória da comunidade antecede a criação da paróquia e se confunde com a própria fundação do setor Aureny III, ocorrida no início da década de 90.

Na noite da última terça-feira (17), a comunidade católica do setor Aureny III se reuniu na Igreja Matriz para celebrar os 24 anos de criação canônica da Paróquia Santo Antônio de Lisboa. A missa em ação de graças, realizada às 19h30, marcou mais de duas décadas de atuação institucional e resgatou a memória das primeiras famílias que se estabeleceram na região sul da capital tocantinense.

Durante a celebração, o pároco, padre Carlos Adriano Sales Fernandes, destacou um aspecto central da comunidade: o desenvolvimento do bairro e da paróquia caminham juntos. Antes mesmo de ser constituída oficialmente como paróquia, a população local já se organizava e atuava como uma comunidade religiosa ativa.

As origens no Aureny III

Essa organização social e religiosa remonta a março de 1991, período em que o bairro começou a ser povoado. Na época, Palmas ainda pertencia à Diocese de Porto Nacional. A primeira missa do setor foi celebrada em 12 de agosto daquele ano, na residência do professor Davi, conduzida pelo padre redentorista Jones Pedreira.

A aposentada Ana Zélia Ferreira Lima, de 63 anos, é uma das pioneiras que testemunharam essa evolução. Moradora do bairro desde 1991, ela relata ter participado de todas as primeiras celebrações. “A primeira missa foi na casa do professor Davi, a segunda na Escola Estevão Castro e a terceira já no local onde foi erguido o cruzeiro”, relembra.

Para garantir a preservação dessa memória, Ana Zélia doou seu acervo fotográfico pessoal da época para a secretaria paroquial. Hoje, a pioneira mantém sua atuação na igreja de forma mais contida, dedicando-se principalmente ao movimento Terço em Família.

Estruturação e desenvolvimento institucional

A consolidação da comunidade ganhou força a partir de janeiro de 1992, com a chegada da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora (Notre Dame), representadas inicialmente pelas Irmãs Silvana, Thereza e Dionísia. A mobilização dos fiéis não apenas fortaleceu o catolicismo na região, mas impulsionou conquistas sociais para o bairro e deu origem a novas comunidades, como Nossa Senhora de Guadalupe (1993) e Santa Luzia (2000).

A elevação à condição de paróquia ocorreu oficialmente em 17 de fevereiro de 2002, sob a liderança do primeiro pároco, padre Marcus Paulo Alves Silva.

Mais recentemente, em 2023, a instituição passou por importantes adequações. O nome foi alterado de Paróquia Santo Antônio para Santo Antônio de Lisboa, visando facilitar a identificação e diferenciá-la de outra paróquia homônima em Palmas. No mesmo ano, a paróquia cedeu parte de seu território para a formação da Área Pastoral Missionária São José de Anchieta e obteve a concessão do direito real de uso do terreno da matriz por 20 anos.

O engajamento da comunidade

O forte senso de pertencimento dos moradores é apontado como o pilar da paróquia. O casal Vera e Raimundo exemplifica essa relação. Eles chegaram ao bairro quando a estrutura física da igreja ainda era improvisada. Segundo Vera, o marido era inicialmente resistente em participar das atividades religiosas.

Casal Vera e Raimundo durante partilha sobre a vida em meio a comunidade paroquial

A mudança de postura ocorreu durante uma celebração no dia do aniversário de Raimundo, em 22 de agosto. Na ocasião, Vera pediu espaço à irmã Dionísia, que conduzia a celebração, para prestar uma homenagem pública ao esposo diante de toda a assembleia. Desde aquele dia, o casal tornou-se presença constante e assumiu a frente de diversas frentes pastorais.

A proximidade entre os fiéis e os líderes religiosos é uma marca da Santo Antônio de Lisboa. Sem parentes em Palmas, Vera e Raimundo adotaram a comunidade como família, transformando a própria residência em um ponto de acolhida para os clérigos. Todos os párocos que já passaram pela instituição — Pe. Marcus Paulo, Pe. Mariano Sousa, Pe. Paulo Cristiano, Pe. Edionilson Batista e o atual, Pe. Carlos Adriano — frequentaram a casa da família.

“O almoço e o feijão têm todo dia”, afirma Vera, ressaltando o ambiente de acolhimento cotidiano oferecido aos religiosos, com o cuidado de adaptar o cardápio quando necessário — como a exclusão de ovos das refeições servidas ao padre Alexandre, devido a uma alergia. Para os pioneiros, o zelo com o templo, com os padres e com as atividades religiosas reflete, essencialmente, o cuidado com o próprio lar.

Rumo ao Jubileu de Prata

A celebração destes 24 anos ganha um peso ainda maior por marcar o início de um ano preparatório para um momento histórico: o primeiro jubileu da paróquia. Em 2027, a Santo Antônio de Lisboa completará 25 anos de criação canônica, celebrando o seu Jubileu de Prata.

A expectativa é que os próximos doze meses sejam de intensa preparação espiritual e comunitária, reafirmando o compromisso de evangelização que começou de forma simples, em pequenos grupos de famílias, quando as ruas do Aureny III ainda davam seus primeiros passos.

Matéria original: https://psantoniodelisboa.com.br/2026/02/20/paroquia-santo-antonio-de-lisboa-24-anos-em-missao-no-aureny-iii/

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