O Centro Universitário Católica do Tocantins (UniCatólica) recebeu, no último sábado (28), o 1º Fórum Arquidiocesano de Educação e Compromisso Social. Com o tema “Fraternidade e Moradia”, o evento reuniu cerca de 120 pessoas, entre acadêmicos de diversos cursos e membros da comunidade eclesial, para debater soluções e novos olhares sobre o déficit habitacional e a dignidade humana.
Realizado pela Arquidiocese de Palmas, por meio do Vicariato para a Ação Social e em parceria com a UniCatólica, o fórum se consolida como um gesto concreto da Campanha da Fraternidade 2026, cujo lema é “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). O objetivo central foi levar a discussão da justiça social para o ambiente universitário, incentivando os futuros profissionais a pensarem em ações práticas para o problema da moradia no Tocantins. 
A abertura das conferências foi realizada por Dom Pedro Brito Guimarães, Arcebispo Metropolitano de Palmas. Em sua formação, o Arcebispo abordou o tema central da Campanha da Fraternidade 2026. Dom Pedro destacou a moradia sob a ótica da fraternidade e da solidariedade cristã, reforçando o compromisso da Igreja com a dignidade de todas as pessoas, especialmente as que não possuem um teto digno.
Na sequência, o Dr. Fábio Barbosa Chaves, doutor em Direito, trouxe uma análise técnica sobre a aplicabilidade do direito à moradia, previsto na Constituição Federal.
“A moradia é um direito social fundamental com aplicação imediata. O judiciário já consolidou que o Estado deve garantir esse acesso, seja por instrumentos jurídicos como a concessão de uso ou o aluguel social”, pontuou o especialista.
Dr. Fábio também abordou os desafios específicos da capital, mencionando que a formação urbana de Palmas sofreu com a especulação imobiliária, o que exige hoje vontade política e o uso de ferramentas como o IPTU progressivo para garantir a função social da propriedade.
Encerrando as palestras, a Dra. Ana Carolina Peixoto do Nascimento, doutora em Ciências e Tecnologias em Saúde, provocou o público a romper com a “monocultura do habitar”. Ela discutiu como o processo de urbanização contemporânea transformou a moradia em um ativo financeiro, muitas vezes excluindo as populações mais vulneráveis.
Como alternativa, a pesquisadora apresentou a metodologia internacional “Housing First” (Moradia Primeiro), que se baseia em oito princípios fundamentais, como a moradia como direito humano e a autonomia do beneficiário. Segundo a Dra. Ana Carolina, estudos comprovam que este modelo garante estabilidade na moradia, reduz custos públicos com hospitalizações e melhora a saúde dos atendidos. Ela alertou ainda contra a romantização da vida na rua: “A vida na rua é frequentemente reduzida à sobrevivência precária ou à morte social”, afirmou, destacando que a falta de moradia digna é uma violação profunda de direitos.
O final do Fórum foi marcado por um momento de apresentação onde representantes de órgãos governamentais e da sociedade civil puderam expor as ações que realizam para melhorar a situação habitacional.
Estiveram presentes:
-
Veneranda de Oliveira Elias, Diretora de Habitação e Regularização Fundiária da Federação das Associações Comunitárias e de Moradores do Tocantins (FACOMTO);
-
Maria de Jesus da Costa e Silva, advogada e recentemente empossada como Diretora de Planejamento Urbano da Secretaria das Cidades, Habitação e Desenvolvimento Regional do Tocantins, representando o secretário Ubiratan;
-
Thalya Gomes de Sousa, Diretora de Projetos Sociais da Secretaria Municipal de Habitação.
Para a organização, o fórum foi um momento essencial de troca de experiências. Ao unir a doutrina da Igreja com o rigor acadêmico e as perspectivas práticas de gestão, o encontro buscou sensibilizar os jovens para que a “casa comum” seja, de fato, um direito garantido a todos os cidadãos, promovendo uma cidade mais inclusiva e humana.





