PALMAS, A IGREJA-CASA E NAS CASAS

Dom Pedro Brito Guimarães
Arcebispo de Palmas

          “Hoje eu devo ficar na tua casa” (Lc 19,5).

No dia 20/12/2025, no encerramento do Ano Jubilar, indiquei alguns monumentos que deveriam ficar erguidos, como legados e memoriais do Jubileu, para as novas e futuras gerações. Neste breve texto, indicarei apenas um destes monumentos: “Palmas, Igreja nas casas”.
Quando eu estudava, na Itália, nas férias de Natal e da Semana Santa, ia às paróquias para visitar e abençoar as casas de paroquianos. Guardo sempre na parede da minha memória esta prática eclesial, na esperança de motivar as nossas paróquias a fazerem o mesmo: visitar e abençoar as casas de paroquianos que assim desejarem.
Estamos celebrando, neste ano de 2026, os trinta anos da Arquidiocese de Palmas, por feliz coincidência, no ano em que a Campanha da Fraternidade tem como tema a moradia. O outro nome de moradia é casa. Casa, mais que um lugar físico, de quatro paredes e um teto, é o lugar de pertencimento e o espelho do coração.
Jesus foi um exímio visitador de casas. Esteve mais nas casas das pessoas do que no Templo e na Sinagoga. E, por ironia do destino, nasceu em uma gruta, pois, não havia uma casa para Ele vir ao mundo, em Belém (Lc 2,7). Foram tão marcantes estas visitas que ficou na memória afetiva do povo: “Deus visitou o seu povo” (Lc 1, 68;7,16). Há, ao menos, doze casas que Jesus visitou: a casa do casamento, em Caná (Jo 2,11), a da sogra de Pedro (Lc 4,38-39), a em Cafarmaum (Mt 4,13-14; 9,1; Lc 5,17ss), a de Levi (Lc 5,29ss), a de Simão, o leproso (Lc 7,36ss), a de Jairo (Lc 8,41ss), a de Marta, Maria e Lázaro (Lc 10,38ss), a de Zaqueu (Lc 19,1ss), a do Cenáculo (Lc 22,10ss), a de  Caifás (Mt 26,57), a de Emaús (Lc 24,13ss) e a dos discípulos (Jo 20,19ss). E continua ainda hoje à nossa disposição: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo” (Ap 3,20).
A Igreja é Casa de Deus. O lugar, o espaço físico e espiritual para termos os seus sentimentos: ver as feições e as afeições; escutar as alegrias e os clamores; e ter os mesmos sentimentos de seu coração.
Na formação para a CF-2026, fiz questão de, mais uma vez, relembrar este monumento-compromisso de começarmos por esta Quaresma visitando e abençoando as casas dos paroquianos. Vale ainda lembrar que no nosso Plano Estratégico de Evangelização (2026-2029), a nossa Arquidiocese é comparada a uma Tenda que precisa ser alargada (Is 54,2).
Esquematicamente, em cinco pontos: 1. Decidir, programar e comunicar esta proposta aos paroquianos; 2. Fazer um roteiro simples, breve e prático par estas visitas. 3. Preparar as pessoas para estas visitas; os leigos podem rezar e abençoar as casas como um sacramental. 4. Disponibilizar os materiais, os horários, os endereços, os roteiros, a água benta, a bíblia e outros distintivos. 5. Deixar uma mensagem de acolhida, de agradecimento, de alegria e de esperança nas casas visitadas.
Nessas visitas poderão levar os programas pastorais e os materiais do dízimo e, ao menos, o Santinho do Projeto “Padres para a Igreja de Palmas”.
Por fim, nestas visitas ou em quaisquer atividades, sugiro, o que já sugeri em outras ocasiões, três atitudes: primeira, valorizar as pessoas que já participam oficialmente das atividades paroquiais; segunda, acolher com alegria e carinho as pessoas que estão se achegando às nossas Igrejas; e terceira, ir atrás ou em busca daquelas que estão distantes das nossas ações pastorais, como fez Jesus, o Bom Pastor (Jo 10,1ss).

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